A Beleza dos Finais



Gosto muito da ideia de que podemos encerrar ciclos, deixar que algumas coisas simplesmente se vão e nos abrirmos, com o coração tranquilo, para o que ainda está por vir. É como fechar um livro que nos acompanhou por semanas, ou assistir ao último episódio daquela série que parecia interminável. Há sempre um silêncio depois do fim, um silêncio que, para muitos, pode parecer vazio. Mas, para mim, é um respiro. Uma pausa necessária antes do próximo capítulo da vida.

Finais costumam assustar porque eles nos tiram do controle. Despedidas, mudanças, encerramentos… tudo isso nos empurra para o desconhecido. E o desconhecido, convenhamos, nem sempre é confortável. É mais fácil se agarrar ao que já conhecemos, mesmo que isso já não nos faça bem. Mas é preciso coragem para soltar. Coragem para entender que nem tudo foi feito para durar para sempre, e que tudo bem ser assim.

Aprendi que respeitar o fim de algo é, também, um ato de maturidade. Reconhecer que um ciclo se encerrou não invalida tudo o que foi vivido. Pelo contrário, torna tudo mais significativo. Uma amizade que mudou, um amor que virou lembrança, um projeto que não seguiu adiante… cada um desses momentos deixa rastros em nós, e é saudável aceitá-los como partes da nossa construção, sem forçar permanência onde só deveria haver passagem.

Quando deixamos ir o que precisa ir, abrimos espaço para o novo chegar. Novas experiências, novas pessoas, novos sonhos. E esse espaço é vital. Viver agarrado ao passado é como insistir em reler a mesma página esperando por um final diferente. É preciso virar a página, mesmo sem saber o que vem a seguir. Às vezes dói, mas também liberta. E nessa liberdade, moram as possibilidades.

A vida é feita de ciclos, e cada ciclo traz seus próprios ensinamentos. Alguns são curtos e leves, outros longos e transformadores. O importante é estar presente enquanto eles duram e saber reconhecer quando é hora de dizer “obrigado” e seguir em frente. O fim, na maioria das vezes, não é uma derrota, é apenas a hora certa de ir.

Por isso, sempre que algo termina, em vez de tristeza, tento sentir gratidão. Afinal, só chega ao fim aquilo que teve início, aquilo que foi vivido. E isso já é, por si só, um presente. Aceitar os finais com serenidade é confiar que a vida continuará se movendo, mesmo que a gente não saiba exatamente para onde. Porque sempre haverá mais (e esse “mais” só se revela para quem tem a coragem de deixar ir.).