Nem todo mundo que chama a gente de “amigo” está realmente disposto a ser. Eu acredito que uma das maiores provas disso é quando a pessoa começa a namorar e simplesmente desaparece. Não responde mais, cancela encontros, e quando você pergunta se está tudo bem, a resposta é sempre apressada ou vaga. Claro que é normal a rotina mudar, mas sumir por completo mostra mais do que falta de tempo: mostra falta de equilíbrio emocional e maturidade para manter as relações importantes da vida. Quem valoriza um amigo de verdade, dá um jeito de estar presente, nem que seja em pequenas atitudes.
O que machuca mesmo é quando a ficha cai: você se dedicou, confiou, fez o possível pela amizade… mas percebe que o outro nunca teve a mesma disposição. É triste perceber que alguém que parecia tão próximo, na verdade, só estava por conveniência ou costume. A decepção bate forte, mas eu acredito que ela também abre nossos olhos. Porque amizade boa não precisa ser cobrada o tempo todo, ela flui, tem troca, tem presença. E quando isso começa a desaparecer, a gente precisa ter coragem de enxergar que está sozinho naquela relação.
Por mais que seja difícil, se afastar de quem não soma é um ato de amor-próprio. A gente cresce achando que amizades são para sempre, mas a vida ensina que nem toda relação merece ser mantida. Às vezes a gente insiste demais em quem já deu todos os sinais de que não está mais com a gente. E o pior é que, enquanto isso, deixamos de valorizar quem realmente se importa. Aquela pessoa que liga pra saber como foi o seu dia, que te escuta sem julgar, que aparece mesmo quando você não pede. Essa sim merece espaço, atenção e cuidado.
Eu acredito que precisamos treinar nossa mente pra identificar essas diferenças. Parar de alimentar vínculos frágeis e investir mais nas amizades sinceras, mesmo que sejam poucas. Não é sobre quantidade, é sobre qualidade. Às vezes, uma única pessoa que te apoia em silêncio vale mais que dez amigos barulhentos que somem quando você mais precisa. E quando você encontra alguém que está com você pra tudo — nos dias bons e nos ruins — isso sim vale conservar com carinho.
A verdade é que, em algum momento da vida, todos nós vamos nos decepcionar com alguém. E tudo bem. O importante é não se perder tentando manter o que já não existe. Cortar certos laços não é maldade, é maturidade. E quanto mais cedo a gente entende isso, mais leve a vida fica. A gente para de forçar, para de se cobrar, e começa a caminhar ao lado de quem quer estar junto de verdade. E isso, no fim das contas, é o que realmente importa.
