Todo dia 1º de janeiro cumpro o mesmo ritual: assisto a um dos meus filmes favoritos, Titanic. É curioso notar como existem tantos olhares diferentes sobre essa obra; muitos focam na tragédia técnica ou no romance impossível, mas poucos conseguem captar sua verdadeira essência. No fundo, o filme é um manifesto sobre a vida e sobre o que realmente possui valor.
O valor além do brilho
Enquanto os caçadores de tesouros acreditavam que o "Coração do Oceano" era a coisa mais valiosa dentro daquele navio, Rose nos deu uma lição silenciosa. Para ela, a joia nunca foi um bem precioso pelo seu preço, mas sim uma recordação guardada com o desapego de quem guarda uma carta de papel.
Muitas vezes, passamos a vida buscando o superficial, atribuindo um peso enorme a coisas que, no fim das contas, não são tão valiosas assim. O verdadeiro tesouro de Rose não estava no cofre, mas na experiência que a transformou.
A promessa de uma "cama quentinha"
Para quem presta atenção aos detalhes, a profecia de Jack é o fio condutor da trama. Ele diz que Rose terá uma vida longa e que morrerá bem velhinha, em uma "cama quentinha". No final do filme, a câmera percorre os porta-retratos — que mostram uma mulher que cavalgou, voou e viveu intensamente — até chegar nela, deitada serenamente.
Ali vemos o encerramento de uma jornada de alguém que soube tomar as rédeas do próprio destino. Rose honrou a sobrevivência vivendo cada segundo que lhe foi dado.
Onde a vida e a arte se encontram
A cena final, em que Rose reencontra todos que partiram e Jack a espera na escadaria, é de uma poesia que arrepia. Entender esse momento me faz refletir sobre o que realmente vale a pena carregar na bagagem.
Começo meu ano com essa lição: mesmo diante do naufrágio e das perdas, ainda é possível sobreviver e construir uma história que valha a pena ser contada. Estou pronto para 2026, lembrando que o que importa não é o que possuímos, mas quem nos tornamos diante das tempestades.
