Nos últimos dias, a internet e os jornais não falam de outra coisa: a deputada Erika Hilton foi eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Para quem não está por dentro do "politiquês", essa comissão é o lugar onde se discutem e votam projetos de lei que impactam diretamente a vida de todas as brasileiras (desde questões de saúde e combate à violência até igualdade no mercado de trabalho). É um espaço de poder fundamental, e ter a Erika ali gerou uma onda de debates que a gente precisa analisar com calma.
Mas antes de entrar na polêmica, quem é Erika Hilton? Ela é uma das figuras mais expressivas da política atual, tendo sido a vereadora mais votada do Brasil em 2020 e, agora, uma deputada federal com uma base de apoio gigante. O que muita gente esquece, ou finge não saber, é que ela não caiu de paraquedas nessa comissão. Erika já foi vice-presidente desse mesmo colegiado, ou seja, ela conhece o funcionamento, as regras e os desafios do grupo como poucos ali dentro. Ela tem experiência de sobra para o cargo.
A grande crítica que surge, muitas vezes carregada de preconceito, é sobre o fato de Erika ser uma mulher trans presidindo uma comissão "de mulheres". Mas aqui entra um ponto de reflexão: você sabia quem era a presidente da comissão no ano passado? Ou no anterior? A verdade é que a maioria das pessoas nunca deu a mínima para quem comandava esse espaço até que uma figura com a relevância e o perfil da Erika assumisse. O barulho diz mais sobre o incômodo com a presença dela do que sobre a competência técnica para o trabalho.
Existem vários motivos que favorecem a presença de Erika Hilton nessa presidência. Primeiro, a representatividade. Ela traz uma visão de mundo de quem conhece as bordas da sociedade e as dificuldades extremas que muitas mulheres enfrentam. Segundo, a sua produtividade. Erika é reconhecida por estar ativamente criando e relatando projetos que favorecem as mulheres em sua diversidade: mães solo, trabalhadoras informais e vítimas de violência doméstica. Ela não está ali para "fazer cena", está ali para trabalhar em pautas que realmente mudam a vida das pessoas.
Além disso, a presença dela na comissão oxigena o debate. Ter alguém que transita bem entre diferentes movimentos sociais ajuda a pautar temas que muitas vezes ficavam engavetados. O trabalho de uma presidente de comissão é organizar a pauta e garantir que os projetos caminhem, e a trajetória da Erika mostra que ela tem articulação política para fazer isso com eficiência. Questionar a sua legitimidade é ignorar o fato de que ela foi eleita democraticamente por seus pares e que representa milhares de eleitoras que a colocaram no Congresso.
No fim das contas, a política só funciona quando a gente foca nos resultados. Se o objetivo da comissão é defender os direitos das mulheres e criar leis que funcionem na prática, o que importa é a capacidade de entrega e o compromisso com a causa. Erika Hilton já provou que tem os dois. Em vez de se perder em polêmicas vazias sobre quem ela é, o ideal seria que a sociedade acompanhasse o que ela vai fazer. Afinal, o direito de todas as mulheres ganha quando temos lideranças fortes e dispostas a enfrentar o sistema para garantir dignidade para todas. Não tenha orgulho de ser analfabeto político, é feio e vergonhoso.
