Existe uma frase clichê que as pessoas usam para confortar: "cada um dá o que tem". Geralmente, ouvimos isso para tentar perdoar quem nos feriu. Mas hoje, vamos olhar por outro ângulo, o ângulo da realidade nua e crua: tem gente que simplesmente não tem nada para dar.
A gente insiste em tratar certas pessoas com uma importância que elas nunca pediram e, honestamente, nunca mereceram. A gente reserva um lugar de honra na nossa vida para alguém que se contenta em ser figurante. A gente oferece banquetes de atenção, lealdade e presença para quem só consegue nos oferecer migalhas, desculpas esfarrapadas e um silêncio covarde.
O erro nunca foi nosso por ter muito a oferecer. O erro foi acreditar que o outro era um solo fértil, quando na verdade era apenas um deserto emocional.
O vazio fantasiado de "jeito de ser"
Quando alguém te diz que "anda sossegado" ou usa o desinteresse como escudo, não se engane. Isso não é uma fase, não é um estilo de vida; é a prova cabal de que a fonte secou (ou melhor, nunca teve água). Pessoas vazias não conseguem sustentar conexões profundas porque a profundidade as assusta. Elas preferem a superfície, onde não precisam se comprometer, onde podem sumir e aparecer conforme a conveniência do próprio ego.
O fim da importância
Tratar com importância quem te trata como opção não é bondade, é falta de amor-próprio. É como tentar aquecer as mãos em um bloco de gelo. Você vai se queimar, vai se desgastar e o gelo continuará sendo apenas gelo.
A partir do momento em que você entende que a pessoa "não dá" porque "não tem", a mágoa deve ser substituída pelo descarte. Não um descarte com raiva, mas um descarte por inutilidade. O que não agrega, não faz falta. O que não transborda, não serve para ser compartilhado.
Se você está lendo isso e se identificou como o lado que "dá demais", entenda: pare de tentar tirar leite de pedra. Se a pessoa te oferece o vácuo, devolva a ela o silêncio. Se ela te oferece o desinteresse, devolva a ela a sua ausência definitiva.
Não guarde rancor, guarde distância. Afinal, a gente só deve gastar nossa energia com quem tem algo de valor para trocar. Para quem não tem nada, o nosso "nada" é a resposta mais justa.
De agora em diante, a minha importância é exclusiva para quem sabe o que fazer com ela.
