Não importa o quanto você goste dela e se disponha a ser a melhor pessoa que ela pode ter na vida. O empenho dela sempre será em procurar o que não tem e, quando não conseguir, ela vai se lembrar de você (alguém que se contenta com qualquer migalha e que prometeu estar ali para sempre).

Tem horas em que precisamos acordar para a vida e compreender que se dedicar a alguém que faz tão pouco, ou quase nada por nós, não vale a pena. Você não precisa odiar aquela pessoa, nem mesmo se decepcionar com o quão pouco ela realmente vale. A gente pode voltar no tempo e ver que você tem ganhado migalhas há um tempo razoavelmente longo; então, se as coisas chegaram a esse ponto, é porque você permitiu.

Você levá-la até a casa dela, você se preocupar se ela chegou bem, você confiar nela para contar seus segredos, você se dispor a sair de casa a qualquer hora para ajudá-la... nada disso foi sobre ela. Por isso, não fique triste por resolver acordar. Se você é a pessoa que sempre foi grata, que nunca fingiu que não viu uma mensagem, que nunca disse querer estar em casa enquanto estava saindo com outra pessoa, esse final é uma libertação.

É tão bom não ser uma pessoa babaca. Porque quando você assume o papel da pessoa "burra", o outro nunca acha que está perdendo muita coisa. Chega a ser prazeroso compreender que a melhor pessoa da relação era você, que o melhor amigo era você, que o melhor funcionário era você. Ter essa consciência de identidade é o que nos difere de uma pessoa ingrata, porque ela vai criar na mente dela uma teoria que só existe na cabeça dela.

Não tem coisa pior do que alguém que conta uma mentira para si mesmo. Algumas pessoas sempre serão ingratas, e isso é um fardo que elas vão ter que carregar sozinhas. Aprender a se libertar de quem nos oferece tão pouco é um ato grandioso de amor-próprio.