Me impressiona o fato de algumas pessoas terem tanta falta de noção da realidade e a coragem (para não dizer loucura) de acreditarem que eu teria qualquer interesse romântico por elas. Aprendi com a vida que merecemos coisas boas, então eu jamais teria o péssimo gosto de me interessar por alguém com tão pouco a oferecer, que é chato, desinteressante, que não sabe sustentar uma conversa e que carrega o pior defeito de todos: a burrice. Essa gente deveria abrir a mente para si mesma e compreender que, no máximo, eu posso ter a educação de tratar com o mínimo de respeito, mas jamais, em hipótese alguma, daria um passo em direção a qualquer tipo de contato íntimo ou físico.

Parece que vivemos uma epidemia de desespero crônico. Um sorriso amigável, uma resposta educada ou a simples ausência de hostilidade são imediatamente traduzidos como flerte. A verdade é que a barra das relações humanas está tão baixa que a civilidade básica virou sinônimo de declaração apaixonada. É um nível de delírio que chega a dar preguiça. Se eu respondo a uma pergunta com simpatia ou ajo com cortesia, eu estou apenas sendo uma pessoa civilizada, não estou dando brecha para você se aproximar.

Confundir simpatia com desejo escancara a fome de atenção de quem cria essas fantasias. As pessoas se acostumaram tanto a serem tratadas com brutalidade ou indiferença que qualquer gota de cordialidade as faz inventar roteiros absurdos na própria cabeça. Falta espelho e sobra presunção. É preciso ter uma dose colossal de arrogância para achar que a minha boa educação é um passe livre para você invadir o meu espaço pessoal.

Portanto, vamos estabelecer a realidade dos fatos de uma vez por todas. A minha gentileza é um reflexo do meu caráter e da minha criação, não uma validação para o seu ego inflado. Eu jamais gostaria de alguém igual a você. Não confunda a minha polidez com interesse, nem a minha capacidade de existir no mesmo ambiente que você com atração. Coloque-se no seu devido lugar. Eu sou apenas alguém que sabe conviver em sociedade. O resto é pura alucinação da sua mente vazia.