Olho para trás e vejo o quanto a sua amizade me fazia bem. A forma como nos aproximamos e a cumplicidade que construímos foi algo único, do tipo que só acontece uma vez na vida. Sei com certeza que uma ligação assim nunca mais vai se repetir no meu caminho, e a verdade é que eu nem mesmo quero que aconteça com mais ninguém. O que vivemos teve o seu próprio lugar e o seu próprio tempo.
A vida muda, os caminhos seguem direções diferentes e as pessoas se transformam. Por mais próximos que tenhamos sido, você escolheu se afastar e ir embora, e eu entendo que isso era um direito seu. Cada um sabe de si. No entanto, doeu sentir que você pensou apenas em você e que acabou banalizando tudo aquilo que construímos ao longo dos anos, como se a nossa amizade não tivesse o peso e o valor que eu sempre dei a ela.
Muitas vezes, faço um esforço para não olhar para toda essa situação sem filtro. Sei que, se tirasse esse cuidado, acabaria vendo com clareza todas as coisas ruins que você me fez e as atitudes que me magoaram, mas me recusar a alimentar esse rancor é uma escolha minha, porque simplesmente não sou esse tipo de pessoa. Prefiro guardar o respeito pelo que fomos do que viver preso a mágoas.
Apesar de tudo, agradeço a você. Crescer no meio de espinhos não é fácil, mas me ensinou muito sobre mim e sobre a vida. Hoje percebo que você já não é a mesma pessoa e que talvez nem se importe mais comigo, mas me recuso a ser infiel à memória de quem eu conhecia no passado. A pessoa que você era para mim merece esse respeito, independentemente de quem você se tornou hoje.
Aos meus olhos, sempre será você aquela pessoa que guardei no coração como o meu melhor amigo. Essa marca ninguém apaga. Mas sei também que sou capaz de seguir em frente, de cabeça erguida e em paz, porque a vida não para e tudo muda.
