Fillemon | Capítulo 3




CAPÍTULO III

Perder o emprego foi devastador. Todos sofrem ao ficar sem o trabalho, mas geralmente, essas pessoas tem alguém em quem se apoiar. Além de eu estar longe de casa, o meu trabalho era a chance de dar uma vida melhor para minha mãe. Diante desta situação, é inevitável não questionar a vida. Por que eu fui nascer pobre? Por que eu não morri em abril? Parece que as pessoas estão destinadas, que se nasceram para serem más, é assim que serão. Comecei a pensar naquela proposta de ganhar dinheiro com a minha história no naufrágio do Titanic.

— Fillemon, em breve você encontra outro emprego. No Jornal do Brasil deve ter vários reclames sobre. Logo na primeira página tem inúmeros classificados, se você quiser mesmo um emprego, será fácil.

— O problema é pagar pelo jornal.

Inácio levantou as sobrancelhas, um tanto surpreso.

— Tão pouco dinheiro assim?

Como um bom amigo, ele me jurou ajudar com o jornal. É uma notícia muito boa, mas quanto tempo isso irá demorar? Cada segundo sem trabalho aqui no Brasil, é um tempo a mais longe de minha mãe.

Voltando ao assunto do Jornal do Brasil, também fiquei sabendo de um concurso com prêmios de alto valor. Sendo eles, uma linda casa de campo, um automóvel, viagens para a Europa e Argentina, pianos, mobílias... Queria cada um desses prêmios.

22 de novembro de 1912, sexta-feira.

Passava das 10 horas da manhã quando acordei com Inácio batendo na porta do quarto. Assim que me dei conta de que ele poderia estar com o jornal, levantei acelerado, 5 dias sem trabalhar foi um pesadelo, enviei todo o meu dinheiro e a carta para minha mãe, então estar no Brasil e sem dinheiro é complicado.

— Trouxe o jornal?

— Claro que sim! A gente só vai precisar pegar o endereço e você estará trabalhando até segunda-feira...

Era exatamente o Jornal do Brasil que ele me disse, na capa, aquele monte de reclames, aqueles grandes textos escrito "Procura-se" "Precisa-se", tudo com um P gigantesco. Pensando bem, minha vida era um grande naufrágio, para concluir, todos aqueles empregos se tratavam de trabalhos que eu não possuía conhecimento algum, Inácio me disse que poderíamos comprar outro jornal na outra semana. Que porra eu faço nesses 7 dias?

Dizem que, por pior que a vida fique, sempre existe uma coisa boa. Talvez eu deva aceitar todas as coisas ruins sobre quem eu sou, assumir minha verdadeira identidade, o cara desaparecido do Titanic... E para começar, minha decisão é a seguinte, vou aceitar a entrevista para o jornal!