A história da Aids | Brasil

 


 No início dos anos 1980, a imprensa brasileira começou a publicar uma série de reportagens sobre uma nova e desconhecida síndrome que, na época, era mortal: a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids, em inglês). Com abordagens marcadas por ignorância e preconceito, a doença a princípio era chamada de “câncer gay”.

 O vírus só foi descoberto oficialmente em 1983 pelo médico imunologista francês Luc Montagnier e se tornou uma das mais graves epidemias da História. Hoje em dia, o portador do vírus HIV, transmissor da doença, pode ter uma vida praticamente normal, com ajuda dos avanços da medicina e uma rotina cuidadosa. Embora haja 37,6 milhões pessoas ainda vivendo com HIV no mundo, segundo os dados mais recentes da Uniaids.

 De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a doença pode estar próxima de ser controlada. Para que esse objetivo seja alcançado, é preciso que o mundo continue investindo em prevenção, diagnóstico e tratamento. Infelizmente, porém, nem sempre o mundo contou com uma estrutura de tratamento como existe hoje. Muitas pessoas morreram ao longo da História em decorrência de complicações causadas pelo vírus da Aids.

 Nos anos 1980 e 1990, só no mundo das artes, muitos talentos foram embora prematuramente. No cenário internacional, a lista inclui nomes como Isaac Asimov (1920-1990), escritor russo radicado nos Estados Unidos; Freddie Mercury (1946-1991), músico inglês, nascido na Tanzânia; e Anthony Perkins (1932-1992), ator norte-americano. No cenário brasileiro, grandes artistas assumiram sua condição, e mesmo após sua partida, ainda são venerados pelo talento que tinham em vida.

 Conhecido como galã da televisão brasileira nos anos 1980, Lauro Corona fez sucesso nas novelas Dancin’ Days, Elas por Elas, Louco Amor, Corpo a Corpo e Direito de Amar. Também estrelou filmes como O Sonho Não Acabou e Bete Balanço. Em 1989, Lauro morreu de insuficiência respiratória e renal causadas por complicações decorrentes da doença. Uma das primeiras celebridades a morrer por complicações do vírus, atuava, na época, no folhetim Vida Nova. A despedida de seu personagem foi feita às pressas, utilizando um áudio do ator declamando um poema de Fernando Pessoa.

 Poeta do rock nacional, Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido como Cazuza, conquistou o Brasil com seu talento, compondo e interpretando canções marcantes. O cantor surgiu como líder da banda Barão Vermelho e aproximou-se da MPB em sua carreira solo, aclamado pela crítica. Em 1986, foi internado com pneumonia e os exames mostraram que estava infectado com o HIV. Depois de dois meses nos Estados Unidos para se tratar com AZT, o primeiro antiretroviral conhecido no mercado, ele voltou ao Brasil para se dedicar ao disco mais importante de sua carreira: Ideologia. No início de 1989, no auge do sucesso, assumiu publicamente ser portador do HIV e passou a comparecer a premiações em uma cadeira de rodas, pois queria desmitificar a doença. Morreu um ano seguinte, aos 32 anos de idade, vítima de um choque séptico causado pela aids. Cerca de sete mil pessoas compareceram ao seu velório no dia 7 de julho de 1990.

 Um dos maiores nomes da música nacional, Renato Russo liderou com maestria a badalada banda Legião Urbana, com o qual lançou sete álbuns de estúdio e vendeu cerca de 20 milhões de discos. O músico brasiliense também lançou-se na carreira solo. Seu sucesso foi interrompido no dia 11 de outubro de 1996, também por consequência da doença. O artista tinha 36 anos de idade e, até hoje, assim como Cazuza, é idolatrado por fãs