A história da Aids | Mudanças


 Naquele início da década, o HIV/Aids era considerado uma sentença de morte. Os médicos e os cientistas tentavam, a todo custo, entender o que causava a doença e como ela se espalhava. A falta de informação, tornava o processo para encontrar um tratamento ainda mais desafiador. Anthony Fauci, o doutor que assumiu a direção do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas no auge da epidemia da Aids, relata que esse período de sua carreira foi conhecido como "anos sombrios". Seus pacientes inevitavelmente iriam morrer. Como seria a sensação dos primeiros médicos de pacientes com Aids que sabiam que não havia nada para parar o sofrimento?

Como lutar contra uma doença que não se conhece? Como se prevenir de uma doença que não se sabe por onde é adquirida? As coisas só viriam a começar uma mudança no final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando terapias mais eficazes se tornaram disponíveis e transformaram o que significava viver com o HIV. Em 19 de março de 1987, a FDA, a agência reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA, aprovou um medicamento antirretroviral conhecido como AZT para tratar a infecção pelo HIV.

 Outra mudança importante também aconteceu naquele ano. Após a pressão de ativistas que lutavam pela sobrevivência de suas comunidades, a FDA emitiu novos regulamentos para ensaios clínicos de drogas. Isso deu aos pacientes acesso a terapias experimentais que podem salvar vidas, sem ter que esperar anos pela aprovação da agência oficial.

 No final dos anos 80 e 90, a percepção pública do HIV/Aids também estava começando a mudar, graças em parte a ativistas muito conhecidos e celebridades. Um desses ativistas foi Ryan White, um adolescente de Indiana que contraiu Aids em 1984 por meio de agulhas contaminadas ao se tratar para hemofilia. Ele sofreu discriminação em sua comunidade após o diagnóstico, sendo impedido de entrar na sua escola, onde cursava o ensino médio.

 Ao falar publicamente sobre suas experiências e ter sua família lutando por tratamento na justiça, o rapaz se tornou uma das primeiras faces públicas da doença. A princesa Diana também foi fundamental para quebrar estigmas e mitos em torno da doença, sendo fotografada visitando pacientes com HIV/Aids em enfermarias de hospitais e cumprimentando-os sem luvas.