A história da Aids | Preconceito


 “Você consegue imaginar o que é perder 20 de seus amigos nos últimos 18 meses?”, Larry Kramer, famoso ativista da Aids e cofundador da Gay Men’s Health Crisis, disse em um entrevista de 1983 ao programa de TV “Today”. “Sem causa, sem cura, pessoas em hospitais. A comunidade está com muita raiva”.

 O governo do presidente Ronald Reagan deu pouca atenção à epidemia. Quatro anos se passaram antes que Reagan fizesse uma menção pública à Aids. As conversas entre o assessor de imprensa de Reagan e repórteres em 1982 e 1983 indicam que as principais autoridades do país e a sociedade em geral viam a doença como uma piada e não como um assunto de grande preocupação.

 A percepção era que a Aids era uma “peste gay”, uma condição que se acreditava estar ligada ao estilo de vida e comportamento de gays, embora também tenham sido relatados casos em mulheres, bebês, pessoas portadoras de hemofilia e usuários de drogas injetáveis. Em uma entrevista publicada recentemente no “New England Journal of Medicine”, a pesquisadora da Aids Alexandra Levine falou sobre “o horror de testemunhar toda a sociedade dando as costas a esse sofrimento, o horror de ver como muitos dos meus próprios colegas se recusavam a ajudar, recusavam-se a cuidar, recusavam-se a agir como os profissionais que eram deveria ser”.

 Como os políticos e entidades governamentais se mostraram lentos para agir, os ativistas assumiram as rédeas do tema, fazendo o que podiam para combater a homofobia e o estigma e garantir que suas comunidades recebessem as informações de saúde pública necessárias. Entre esses esforços estava o panfleto de 1982 intitulado “Como fazer sexo em uma epidemia: uma abordagem”. Criado por Michael Callen e Richard Berkowitz, o informe foi um dos primeiros a aconselhar homens gays a usar preservativos durante as relações sexuais com outros homens, de acordo com uma exposição do Biblioteca Nacional de Medicina.

 Embora os dois especialistas sejam considerados pioneiros do sexo seguro, muitos na comunidade gay na época criticaram seu trabalho como “sexo negativo”. Organizações de gays e lésbicas negros, por sua vez, lutavam contra os pôsteres de campanha que traziam o conceito errôneo de que a Aids afetava principalmente homens gays brancos.