Antonio | Capítulo 1




AGORA É TUDO SOBRE VOCÊ — CAPÍTULO 1

O que é que eu posso dizer sobre o Antonio? Como é que alguém pode definir outra pessoa? Quando uma pessoa é um universo, como saber onde é o começo, o meio e o fim? A única certeza é que nem todas as palavras do universo poderiam ser suficientes. Foi pensando nisso que decidi que o melhor a se fazer era escrever o pouco que fosse possível.

Tudo começou no dia 10 de dezembro de 2016. Era um sábado, formatura do Colégio Dom Bosco. Como sempre, aquele tempo interminável pra que aquela celebração termine acaba atiçando a fome de qualquer pessoa que ali esteja, assim que ela termina, cada um da seu jeito de comer em algum lugar e depois voltar para o baile. Naquele meio tempo é que nos encontramos e conversamos pela primeira vez, foi uma amizade a primeira vista.

Uma habilidade que poucas pessoas conseguem é se sentirem conectadas com um outro alguém. Mas até onde diziam, isso acontecia com o convívio, precisávamos conviver e se aturar pra que esse negócio acontecesse. Sempre acreditei no que as pessoas falavam e agora eu era a prova viva de que elas estavam erradas.

Pra que você confie em alguém bastam aqueles 13 milissegundos que o cérebro precisa para identificar uma imagem. Por mais que a imagem continue sendo processada, quando algo é pra acontecer, acontece. Não existe regras sobre se sentir legal com outra pessoa. Não é a toa que dois dias depois já estávamos conversando.

É muito louco como algumas coisas acontecem. Eu estava tão empolgado e isto, provavelmente, foi porque até aquele momento eu nunca tinha tido um amigo de verdade. Voltando na semana interior, no dia em que se conhecemos, ele se envolveu em uma briga, fiquei surpreso ao perceber que eu queria ter feito o possível para ajudá-lo. Mesmo que o possível fosse se envolver nas brigas e acabar apanhando.

Não ligava se acontecesse de eu levar um soco, ou vários. Por mais que fosse um momento, o que realmente importava era o Antonio. Aquilo não era sobre mim, começava uma nova era na minha vida e agora o que importava era o meu amigo. Com certeza, assim que você percebeu o que estava acontecendo deve ter ficado feliz, agora é tudo sobre você.

Existem vários tipos de gostar, e agora eu estava feliz, eu gostei de ter um amigo. Uma coisa que eu aprendi é a dar valor e por vezes, ter a atitude de ser o primeiro. Então eu não me importei, não liguei se eu iria parecer doido de querer outra pessoa bem, não precisamos estar presos em tempos e ideologias. Não é porque alguém disse que as coisas precisavam de tempo que eu iria fingir existir algum. A propósito, eu nunca fingiria nada.