Antonio | Capítulo 4


ONTEM ELE PARTIU — CAPÍTULO 4

Saber que o Antonio iria embora foi bem ruim, mas como um bom amigo, você precisa saber o que é melhor para ele. Eu sabia que quando as pessoas vão embora, elas sempre fazem juras eternas mas algumas semanas depois, naquele novo mundo, elas com certeza irão mudar e tudo o que falaram serão apenas palavras. Por mais que eu soubesse que isto realmente poderia acontecer, seria egoísmo eu dizer pra ele não ir.

Também nunca fui a pessoa que acredita em namoros a distância e como ele tinha uma namorada, com certeza estava sendo difícil para ele escolher ir embora ou ficar. Eu não podia dizer pra ficar pela namorada, até porque nisso eu estaria mais preocupado com minha amizade e com a felicidade dele. Também não podia dizer pra ele ir e terminar seu namoro, se ele amava ela, então a distância não seria nenhum problema. Não era porque meu namoro a distância foi complicado que o de todos também seria.

Estava um pouco difícil de acreditar que meu melhor amigo já não estava mais perto de mim. Mas eu estava tranquilo, eu sabia que na nova cidade, ele teria mais oportunidades na vida e é isso o que vale a pena. Também não é porque a amizade dos outros terminava com a distância que a minha seria igual.

Com certeza, isto de comparação é o maior problema da humanidade, no instante que você faz uma comparação, você se torna inseguro. Eu me lembrava de como era estar perdido antes de conhecer o Antonio então não queria isso de novo. Não sabia o que fazer, distante assim as coisas poderiam mudar e eu sempre fui alguém difícil pra aceitar tais mudanças.

A maior dificuldade foi meu aniversário. Por mais que tivesse sido divertido estar com pessoas que eu gostava, eu não estava com a pessoa mais importante pra mim. Meu melhor amigo, meu irmão, eu estava sentindo uma falta do caramba. Eu precisava continuar focado em nossa conexão, as vezes estamos longe de alguém, mas se soubermos usar nossa mente, ainda podemos nos sentir completos como se aquela pessoa estivesse ali.

Felizmente, logo ele voltaria, ele foi embora mais seus avós ainda estavam por aqui. Era só eu ser paciente que logo iríamos nos ver de novo, e ele poderia me dar coragem pra que eu aguentasse algumas barras difíceis. Se você não tiver alguém que te de coragem, então você não tem um melhor amigo.

Assim que as pessoas souberam do Antonio ter ido embora, comecei a escutar cada vez mais sobre ele, era como se a cidade toda morasse com ele, era como se todo mundo fosse íntimo do meu amigo. Engraçado é que 99 coisas que diziam, as 99 ele me contava que não era verdade. Eram apenas pessoas interesseiras ou invejosas que queriam um pouco do que o Antonio tinha e talvez tivesse deixado por aqui.

Não demorou pra que ele me desse notícias. Não demorou pra que ele voltasse. Percebi que o negócio é ter paciência. A verdade é que muitas vezes a vida nos faz ter que escolher algo que não queremos, eu com certeza queria estar lá e ele com certeza queria estar aqui com seus avós, mas não havia outra escolha. Não existia uma outra forma, uma outra história e nem mesmo um outro Antonio. Ele sempre foi único.