CAPÍTULO III
Helena chegou à casa de Carolina alguns minutos antes das 8 da manhã.
— Cheguei o mais rápido que pude!
— Entre, o café já está pronto...
Helena desligou o celular assim que se sentou à mesa, como de costume. Sempre que se sentava para uma conversa, ela desligava o aparelho para dar atenção total à pessoa à sua frente. Valorizava o diálogo, o que a tornava querida por todos.
— Pelo que você me disse ao telefone, aquele garoto atropelou o Gabriel!
— Sim, e estou sem saber o que fazer...
— Amiga, sempre fui honesta com você. Não quero te culpar, mas eu disse que mentir não era a melhor opção. Mentir cria uma história inexistente, e não importa se acreditamos na invenção, ela não é real.
— Mas agora não posso dizer ao Gabriel que conheci a mãe dele. Ele está cheio de esperanças, e também não posso contar que ela morreu. E agora surge esse Zé Felipe, eles são idênticos, sei que Gabriel vai se apegar a ele... Acho que vou enlouquecer!
— Realmente é complicado, você fez algo desta vez? Conversou com o motoqueiro?
Carolina respondeu enquanto tomava seu café.
— Não entendi, pode repetir?
— Disse para ele se afastar do Gabriel. — Respondeu, fazendo uma careta.
— Você não deveria... Imagine se ele decidir desaparecer, Gabriel vai procurá-lo desesperadamente e pode acabar descobrindo muito mais.
Logo pela manhã, Mariana acompanhou Lucas ao hospital e juntos adentraram o quarto de Gabriel.
— Bom dia!
— Você parece ótimo! — Observou Mari.
— Pessoal, estou muito animado. A Vitória me disse que eu encontraria o que estava buscando...
— Precisa pegar leve, não crie tantas expectativas. Veja que horas são — apontou ela para o relógio — e você está aí, todo agitado por causa do motoqueiro que te atropelou. Você sofreu um acidente, isso não é motivo para comemorar!
— Então, não ficou curiosa sobre o motoqueiro?
Mari riu.
— Claro que fiquei. Quais são as chances de encontrar alguém tão parecido contigo?
— É impressionante a semelhança entre vocês. — Comentou Lucas.
— Isso não te assustou?
— Mari, é algo surreal, porque é uma coisa ser gêmeo a vida inteira, mas de repente aparece alguém na sua vida. A mãe já disse que eu e ele temos idades diferentes, mas houve uma conexão... Não sei explicar!
Dizem que todos temos um sósia - alguém que é a cópia exata de nós, com os olhos da nossa mãe, o nariz do nosso pai e aquelas sardas que há anos queremos remover. Essa ideia fascina o imaginário popular há séculos.