Capítulo 1 | As coisas boas

 



 A maior parte das histórias de amor que eu conheci, foram ambientadas no passado. Era como se, no presente, ninguém mais falasse de amor. Paixão virou uma grande ficção, esqueceram que podemos gostar de alguém e que coisas bonitas existem pra quem sabe sonhar. Desde criança, eu sempre soube que a minha grande paixão era voar, que eu queria sentir o vento batendo no rosto e que eu queria sentir todas as coisas boas que o universo têm pra mim.

 — A Elisa vive no mundo da lua!

 Minha mãe dizia que eu vivia no mundo da lua. Enquanto as outras pessoas aceitavam suas realidades, eu sempre optei pela mudança, ter uma roupa para sair nunca foi suficiente, eu queria duas. Quem disse que eu teria que usar vestidos? Se eu quiser vestir um calção, isso não mudará quem eu sou. Penso que nasci para viver uma revolução, que eu preciso ir além daquelas montanhas no horizonte, eu quero explorar cada cantinho deste mundo, e enquanto eu não tomar as rédeas da minha vida, não estarei satisfeita.

 Eu amo a minha casa, gosto das pessoas que me cercam e da cidade pequena que eu moro. Porém, não acho satisfatório criar muros quando existe todo um universo acontecendo e me esperando ali além daquela esquina. Será que é tão difícil compreender que as razões nunca foram terceiros? Preciso saber o que eu quero. E o que eu sei é que quero ser a mulher incrível que eu nasci para ser. Não quero esperar por um príncipe encantado que vá trazer rosas. Quero plantar o meu próprio jardim.

 Não deveria ser errado querer ser feliz. Não nasci para convenções e nunca estarei pronta para ser submissa. Por vezes nos pegamos conversando sobre a vida, e eu consigo ver em minha mãe um grande esforço para ao mínimo tentar voar na mesma velocidade, talvez lhe falte coragem de assumir que sua filha quer alçar pulos extremos, mas não é extremo em proibição, e sim além do pensamento alheio. Duvidaram que fossemos boas e assim aceitamos viver com limitações.

 — Eu quero o seu bem! Sei que você é moderna e quer conquistar o mundo. Mas a preocupação é que o mundo pode não estar preparado para lidar com uma mulher que assume ser melhor que um homem!

 As pessoas são limitadas quando preconceituosas. Por muito tempo, crescemos dentro de uma bolha que ditava regras, que controlava as mulheres e insistia que o mundo era dos homens. Pensamentos tolos que precisam mudar. Ideias absurdas que precisam cair por terra, aniquiladas. O meu direito de usar calças, de votar em uma eleição, de comandar uma grande empresa e de ser uma rainha. Foi se o tempo da submissão, eu quero a liberdade, mas não é a que estou pretendendo e sim a que sempre me coube.