1972
No ano de 1962 foi criado o Distrito Administrativo de Entre Rios, nome dado oficialmente devido a sua localização entre os rios São Francisco Verdadeiro e Falso. Também no ano de 1962 foi aberto o primeiro açougue, de propriedade de Ervino Hentges.Na área da saúde, os serviços médicos, dentistas e farmacêuticos foram escassos e distantes, até que a professora do ensino primário Noemia Elza Wegner Haener atendia precariamente em alguns socorros necessários, e em seguida Armindo Kamporst instalou a primeira farmácia.
Em 1962 também começou a prestar serviços o primeiro ônibus de propriedade de Arlindo Lamb, fazendo uma linha diária de locomoção. Neste mesmo ano foi fundado a Sociedade Esportiva e Recreativa Entre Rios, conhecido como o Clube Atlético, e o primeiro presidente foi Afonso Maldaner. A partir de então o nosso futebol foi coroado com muitos títulos na região e enchia de orgulho os entrerrienses que acompanhavam maciçamente o Atlético onde quer que ele fosse.
Em 1965 começou a funcionar o primeiro moinho descascador de arroz de propriedade de Helmuth Fleck. Em 1966 conseguimos energia elétrica gerada por motor da Laminadora Cedrella.
No ano de 1969 Ervino Hentges que já possuía o único açougue, comprou de Willi Brissow o primeiro posto de gasolina. A primeira padaria foi instalada de propriedade de Ivo Kroth. Somente em 1969 a estrada Foz-Paranaguá foi asfaltada e denominada como BR-277.
Em 1970 foi fundado o Ginásio CNEC para as 5ª a 8ª séries, e o primeiro Diretor foi Ademir Cassol. Em 1972 foi inaugurada a escola com 06 salas com o nome do presidente Emilio Garrastazu Médici – ficou denominado como Grupo Escolar Presidente Médici. Finalmente no ano de 1972 também conquistamos a tão sonhada energia elétrica trazida pela Copel numa extensão de Pato Bragado.
É nessa pequena cidade que vivia a livre Carolina. Filha de Eugênia, não era bem vista por alguns moradores, principalmente por Paulo Augusto, fazendeiro e produtor de hortelã. Eugênia foi mãe solteira, mas se casou novamente com Jonas Ricardo, que tentava a todo custo educar Carolina, mas sem sucesso. O que ela gostava mesmo era de desaparecer, e como nos últimos anos, 2 homens foram encontrados afogados na região, a fofoca na cidade é que ela na verdade era a Iara, e que levava os homens para o fundo do mar.
— Eugênia, a menina sumiu mais uma vez. E você sabe o que essa gente tem falado? Que a tua filha é a Iara!
— Jonas Ricardo, juro que tentei de tudo. Não sei mais o que fazer... Até falei que ela não vai conseguir um marido desse jeito. Mas ela fala que não quer um marido. Pedi pra ela estudar, poderia se transformar em uma professora aqui na cidade, ela me disse que só estuda se for para Curitiba.
— Tua filha quer ser moderna, mas não tem responsabilidade alguma pra viver em uma cidade grande. Acredita que ela destruiu parte da produção de hortelã do Doutor Paulo? Ele deve estar com um ódio dela que é capaz de ele mesmo dar uma coça nela quando se encontrarem...
Eugênia ficava muito preocupada com Carolina, não compreendia o motivo para que sua filha ser tão diferente da filha das vizinhas, que pareciam educadas e recatadas. Do outro lado da história, Paulo Augusto não tinha a menor intenção de compreender Carolina, ele apenas a odiava e isso era suficiente.
— Ela é imoral, alguém que mancha a reputação da nossa cidade. Isso sem falar que ela é amaldiçoada, é a Iara, lembra da última vez que ela desapareceu? Aquele homem apareceu morto no rio. Eu aposto 500 cruzeiros que foi ela que matou!
— Mas ela é só uma menina, será que ela seria capaz de fazer algo assim? — perguntou Tininha, esposa de Paulo.
— Você já teve a idade dela, e veja o que a gente fazia para ficarmos juntos. Nos dias de hoje, ela deve ser 5 vezes pior.
— Dá até medo deixar ela perto da gente...
Neste momento, Vandinho apareceu na janela fazendo com que Tininha, que estava passando um café se assustasse.
— Já falei pra você não fazer isso seu serelepe! Pare de me assustar!
— Patrão! A Iara tá se partindo lá pro matagal, certeza que está indo no rio...
Paulo Augusto, todo acelerado, deixou Tininha na cozinha e foi para fora, preocupada, ela insistiu para que ele não fosse atrás da menina.
— Paulo, não vá atrás dela! Homem do céu, tome o seu café, deixa ela para lá...
De nada adiantou, com uma espingarda em mãos, Paulo Augusto seguiu para o matagal, rumo ao rio. De mãos atadas e sem saber o que fazer, Tininha resolveu rezar.
As horas se passavam e Carolina não aparecia, ao entardecer, quando o sol já estava indo embora, Eugênia percebeu que lá de longe alguém chegava correndo, quando mais próxima, percebeu se tratar de Carolina.
— O que aconteceu? Você está toda suja e machucada, menina!
— Mãe! Eu preciso ir embora, eu juro que não matei ele...
Carolina estava desesperada.
— Espera, o Jonas já chega e a gente vê o que aconteceu...
— Não, não tenho tempo, eu preciso ir embora da cidade agora, eu não posso mais ficar aqui. Por favor, me ajuda!
Eugênia, sem pensar, foi até seu quarto, pegou as economias de Jonas Ricardo e entregou para Carolina.
— Eu volto, eu juro que eu volto! Não conta pra ninguém que eu estive aqui... Eu te amo minha mãe!
Sem conseguir reagir, Eugênia assistiu Carolina fugindo de casa, sem levar roupa, apenas o dinheiro que lhe foi entregue. Sua única certeza era a de que sua filha iria ficar bem longe de Entre Rios e que independentemente do que tivesse acontecido, tudo iria ficar bem.
No dia seguinte, Paulo Augusto foi encontrado afogado no rio. Tininha sabia que aquilo era obra da iara, e ela tinha que pagar. Mas ela precisaria ser forte, já que tinha dois filhos para cuidar; Luis Augusto e Jorge Augusto.
Na década de 70, algumas culturas agrícolas foram experimentadas, tais como a hortelã e o café, que tiveram bons resultados. Também foram cultivados o sorgo e o girassol. No entanto, com a intensa mecanização, estas culturas acabaram cedendo espaço para o trigo, soja e milho.
40 anos depois...
