O Titanic partiu do Porto de Southampton em uma manhã clara e promissora. O sol refletia nas águas do Atlântico enquanto os passageiros se acomodavam em seus luxuosos aposentos e o entusiasmo era palpável a bordo. Fillemon, disfarçado como um garçom, observava com cautela enquanto o grande navio navegava para o desconhecido.
Fillemon ajustou seu uniforme e começou a trabalhar no salão principal. Ele sabia que precisava manter a compostura e a discrição; seus planos eram mais importantes do que qualquer outro detalhe. Enquanto servia uma bandeja de champanhe para alguns passageiros em um elegante coquetel de boas-vindas, Fillemon lançou um olhar ao redor, tentando identificar possíveis alvos para seu golpe.
O salão estava cheio de passageiros de primeira classe, que se misturavam com o luxo dos detalhes interiores — desde os lustres de cristal até os sofás de veludo. Entre as conversas animadas, um rosto destacou-se para Fillemon: Isabella Fontenele, uma jovem pianista famosa, cuja presença era notável mesmo entre a elite do navio.
Ele ouviu a conversa entre dois passageiros próximos, enquanto passava pela sala.
— A senhorita Fontenele realmente tem uma presença imponente, não acha? — comentou o Sr. Edwards, um bem-sucedido magnata da indústria.
— Com certeza. Dizem que ela é a melhor pianista da sua geração. — respondeu sua esposa, Sra. Edwards, ajustando seu colar de pérolas. — E tem o talento de encantar a todos com sua humildade.
Fillemon se aproximou da mesa dos Edwards para recolher os copos vazios e, com um sorriso cortês, fez uma observação casual:
— A senhorita Fontenele vai se apresentar esta noite, não é mesmo?
Sra. Edwards acenou com a cabeça, ainda admirada. — Sim, ela fará uma performance no Salão de Primeira Classe. Estou ansiosa para vê-la.
Fillemon sentiu que este poderia ser o momento ideal para se aproximar de Isabella. Após o evento, ele a viu conversando animadamente com outros passageiros em um canto mais tranquilo do navio. Com sua postura elegante e seu ar de acessibilidade, Isabella parecia fora do lugar entre a superficialidade do resto da elite.
— Senhorita Fontenele, uma palavra, se puder? — disse Fillemon, aproximando-se com um sorriso amigável.
Isabella virou-se para ele, surpresa. — Oh, claro! Você é um dos funcionários, certo?
— Sim, sou. — Confirmou Fillemon, tentando manter um tom casual. — Ouvi muito sobre sua performance esta noite e gostaria de parabenizá-la antecipadamente.
Isabella sorriu, revelando um olhar sincero. — Agradeço! É sempre um prazer compartilhar a música com outras pessoas. E você, como está encontrando o Titanic?
— Fascinante, na verdade. — disse Fillemon, admirando a simplicidade da gentileza de Isabella. — Tudo aqui é tão grandioso. E parece que a senhorita está aproveitando muito a viagem.
— Sem dúvida. — respondeu Isabella, seu olhar se tornando mais caloroso. — Estou ansiosa para o que o futuro reserva, mas também gosto de momentos simples, como essas conversas com pessoas novas.
A conversa foi interrompida pela chegada de um garçom que trouxe mais bebidas para Isabella e seus amigos. Fillemon fez uma pequena reverência e se afastou, deixando a moça em meio a seus colegas. Enquanto continuava a trabalhar, não pôde deixar de refletir sobre o caráter de Isabella.
Mais tarde, enquanto Fillemon estava no refeitório dos funcionários, encontrou James, um colega de trabalho e amigo informal.
— Como vai, James? — cumprimentou Fillemon, enquanto pegava uma xícara de café.
— Bem, Fillemon. — James sorriu. — E você? Já teve a chance de conhecer alguma figura interessante a bordo?
Fillemon hesitou antes de responder. — Sim, conheci a senhorita Fontenele. Parece ser uma pessoa muito diferente do que eu esperava.
— Ah, Isabella! — exclamou James, com um tom de admiração. — Todos falam dela como uma pessoa genuína. É raro encontrar alguém assim entre os passageiros de primeira classe.
Fillemon balançou a cabeça, contemplativo. — Concordo. Parece que ela realmente não se deixa levar pela fama.
Enquanto a noite caía e o Titanic navegava em direção ao seu destino, Fillemon refletia sobre seu encontro com Isabella. Seus planos ainda estavam em mente, mas a sinceridade da pianista começava a fazer com que ele questionasse seus próprios objetivos.
