22 de novembro. A verdade é que todos sabemos que o álcool tem nos matado. Bebida alcoólica não é saudável, não tem como prioridade, nada além de deteriorar nosso fígado e nos causar confusão mental. Aquela necessidade de esquecer dos problemas é uma fuga, não uma solução, o problema continua, o sentimento ruim se enraíza, o vazio permanece, e toda essa nossa ação é a troco de que? Que momentos são esses que estamos vivendo que vêm nos trazendo tanto mal? Repetindo mais uma vez a pergunta, tudo isso é a troco de que?
Na sexta-feira do dia 22 de novembro, como de costume, eu estava me arrumando para mais uma vez ir beber no hotel. Porém, o sentimento não era de empolgação, e sim o contrário, eu queria um escape, queria esquecer que não estava bem e quem sabe, por um instante, poder me divertir. O sentimento era de desanimo, de desespero, de abandono, de rejeição. Por mais que a gente se esforce para ignorar o que sentimos, a verdade é cruel.
Foi na pandemia que eu havia aprendido a beber, a me embriagar para esquecer de tudo de ruim que me rodeia e de que por algum segundo eu pudesse sorrir. Quando estamos bêbados, surge um escape, uma sensação de que não temos que lidar com os problemas. A bebida se torna uma anestesia.
Após sair do hotel, acabei saindo com outros amigos e a gente acabou bebendo vodka e por mais que não aparentasse, de repente eu passei de todos os limites e é este o pior de todos os momentos: perder a memória. Não saber onde eu estou, o que eu estou fazendo, com quem estou ou para onde estou indo é algo muito grave. Que tipo de momento eu estou vivendo se eu nem mesmo terei lembranças disso? Mais além, o dia seguinte sempre é um dia terrível, recheado de mal-estar, de tonturas, gostos ruins e sensações ainda piores.
Para alguns pode parecer mais um dia normal, mas eu cansei do superficial, de insistir em coisas que eu sei, com clareza, que não me fazem bem. Sempre soube que Deus está comigo me protegendo, então por que eu insisto em me aventurar em um abismo? Entender que as coisas poderiam ser diferentes é o que abriu a minha mente e voltar para o lugar de onde eu não deveria ter saído jamais. E foi no dia 23 de novembro o dia que eu cansei de morrer, cansei de ser destrutivo, cansei de ser vazio, cansei de as pessoas esperarem o pior de mim.
