Capítulo 1: O Verão dos Extremos e a Justiça no Planalto



 O início de 2025 foi marcado por uma atmosfera de tensão e transformação, onde o calor sufocante das ruas encontrou seu paralelo no fervor dos tribunais. Enquanto o Brasil e o mundo tentavam traçar novos caminhos após um ciclo de incertezas, dois eixos fundamentais (a justiça política e a sobrevivência climática) colidiram, definindo o tom de um ano que não aceitaria a neutralidade. O contraste era nítido: enquanto as instituições brasileiras buscavam um veredito definitivo sobre o passado, o cenário global via as esperanças ambientais sofrerem um retrocesso que ameaçava o futuro.

A Condenação no STF: O Veredito que Sacudiu a República

Em Brasília, o mês de janeiro não foi apenas de recesso parlamentar, mas de um desfecho jurídico que muitos consideravam o julgamento da década. O Supremo Tribunal Federal (STF), em uma sessão histórica transmitida para milhões, consolidou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O processo, que envolveu investigações sobre a tentativa de golpe e a instigação aos atos antidemocráticos, atingiu seu ápice com uma sentença que redefiniu os limites da imunidade e da responsabilidade política no Brasil.

A decisão provocou uma onda de reações viscerais. De um lado, o sentimento de reparação histórica e o fortalecimento das instituições democráticas; do outro, uma base aliada que via no veredito uma (falsa) perseguição política, inflamando protestos em diversas capitais. O impacto foi além das fronteiras brasileiras, servindo como um estudo de caso global sobre como democracias modernas lidam com líderes populistas após períodos de forte polarização. A justiça no Planalto, contudo, não trouxe o silêncio, mas sim um novo capítulo de debates sobre o equilíbrio de poderes no país.

O "Fogo" Global: Recordes Térmicos e a Geopolítica do Clima

Enquanto os tribunais brasileiros decidiam o destino de uma figura política, o termômetro global decidia o destino de ecossistemas inteiros. O início de 2025 registrou as temperaturas mais altas da história moderna para o período. Ondas de calor devastadoras atingiram o Hemisfério Sul e partes da Ásia, causando crises de abastecimento e mortes por estresse térmico. O clima, que antes era uma preocupação de longo prazo, tornou-se uma emergência cotidiana e implacável.

Em meio a esse cenário de desolação ambiental, um abalo geopolítico mudou o curso das negociações internacionais: a saída oficial dos Estados Unidos do Acordo de Paris, sob a nova administração de Donald Trump. O movimento, embora anunciado, gerou uma onda de choque diplomática, deixando a governança climática global em xeque. Sem o apoio da maior economia do mundo, o esforço para conter o aquecimento abaixo de 1,5°C pareceu, para muitos especialistas, um objetivo cada vez mais inalcançável, gerando um vácuo de liderança que outros países agora corriam para preencher.

A Dualidade de Janeiro: O Acerto de Contas e a Incerteza

A abertura de 2025 serviu como um espelho das complexidades da vida moderna. A condenação de um ex-líder no Brasil simbolizou a busca pela ordem e pelo cumprimento da lei, uma tentativa de fechar feridas abertas por anos de instabilidade. No entanto, o calor recorde e a ruptura diplomática nos EUA lembraram que, por mais que a humanidade tente organizar suas sociedades, as forças da natureza e as reviravoltas políticas globais não respeitam fronteiras ou sentenças judiciais.

Essa dualidade (a rigidez do Direito contra a volatilidade do Clima) marcou os primeiros passos de um ano que prometia ser tudo, menos comum. Ao olharmos para trás, percebemos que o verão de 2025 não foi apenas uma estação de altas temperaturas, mas o momento em que o mundo compreendeu que tanto a justiça quanto o planeta exigiam uma atenção que não poderia mais ser adiada.