Tudo começou no dia 1º de fevereiro de 2025. Naquele momento, eu alimentava a esperança ingênua de que a busca por uma nova oportunidade seria uma tarefa simples e rápida. Eu não tinha a mínima noção de que encontrar um emprego poderia levar mais do que quarenta e oito horas; acreditava que o mercado estava apenas esperando pelo meu primeiro passo. No entanto, os dias foram passando e a realidade se mostrou mais silenciosa do que eu previa, até que uma conversa informal mudou o rumo daquela semana.

Encontrei o Ricardo, um velho amigo que sempre conheceu os atalhos da região, e ele me deu a letra: na serraria local, eles estavam sempre precisando de braços dispostos. "O trabalho é pesado, Maik, mas eles pegam para trabalhar", avisou ele. Eu, que nunca tinha colocado os pés no distrito industrial da cidade, aceitei o desafio sem pestanejar. Eu tive a coragem de ignorar o cansaço antecipado e a completa falta de experiência, movido apenas pela necessidade de me movimentar e produzir.

Até então, eu não tinha a menor ideia de onde ficava a serraria, como era sua estrutura ou o que exatamente acontecia por trás daqueles portões de zinco. Para mim, madeira era apenas o móvel pronto na sala. Eu desconhecia a complexidade da divisão de uma serraria, onde o tronco bruto é transformado em tábuas precisas através de processos manuais rigorosos e, muitas vezes, perigosos. É um ecossistema de força física e atenção constante, onde cada movimento conta.

Ao mergulhar nesse novo universo, descobri que o fluxo de trabalho é uma engrenagem pesada. Existem as serras de fita que rugem o dia todo, o transporte manual de vigas que testam a resistência de qualquer coluna e as áreas úmidas, onde a madeira recebe uma espécie de banho em grandes banheiras químicas para preservação. É um ambiente onde o cheiro de serragem se mistura com a umidade, criando um cenário hostil e fascinante ao mesmo tempo, algo que eu jamais imaginaria do conforto da minha bolha cotidiana.

Finalmente, a segunda-feira, dia 9 de fevereiro, chegou. O despertador tocou cedo e, por volta das 7h30, eu já estava diante da entrada da serraria. Aquele era o horário em que o expediente ganhava vida, com o som das máquinas começando a subir de tom e os operários se posicionando em seus postos. Eu sentia um misto de ansiedade e determinação; sabia que ali, entre o pó de madeira e o barulho ensurdecedor, começaria uma jornada curta, porém transformadora.

Eu mal sabia que aqueles portões guardavam lições que o conforto nunca me ensinaria. Olhei para as mãos, ainda limpas e sem calos, e respirei fundo antes de me apresentar ao encarregado. Eu estava pronto para o que viesse, ou pelo menos era o que eu dizia a mim mesmo enquanto dava o primeiro passo para dentro do galpão, deixando para trás a minha antiga noção de esforço.