A sexta-feira começou com o barulho do despertador de Miguel tocando pela terceira vez. O celular estava embaixo do travesseiro, e ele precisou procurar o aparelho às cegas antes de conseguir desligá-lo. Do lado de fora, o dia estava nublado, e uma garoa fina começava a molhar a rua. Miguel ficou alguns minutos olhando para o teto, tentando encontrar uma boa razão para levantar da cama. Não encontrou nenhuma. A escola continuava existindo, os trabalhos continuavam atrasados e sua mãe, como se tivesse algum compromisso pessoal com a pontualidade, já o chamava da cozinha.

— Miguel! Você vai se atrasar!

— Já estou levantando!

— Você disse isso há dez minutos!

— Estou levantando há dez minutos!

A resposta provocou uma reclamação do outro lado da casa, seguida pelo barulho de uma porta se fechando. Miguel sorriu sozinho, finalmente se sentou na cama e passou as mãos pelo rosto. A vida tinha dessas coisas. Algumas pessoas pareciam ter nascido para acordar cedo, enquanto outras precisavam negociar com o próprio corpo todas as manhãs. Miguel, definitivamente, fazia parte do segundo grupo.

Depois de tomar banho, vestir o uniforme e comer alguma coisa às pressas, saiu de casa com a mochila nas costas. A garoa havia diminuído, mas o chão continuava molhado. Caminhou pela rua olhando as mensagens no celular e encontrou uma notificação de Samuel enviada alguns minutos antes.

"Hoje vou chegar um pouco mais tarde. Me encontra na escola."

Miguel leu a mensagem duas vezes. Não havia nada de estranho nela. Samuel poderia ter acordado atrasado, precisado resolver alguma coisa em casa ou simplesmente decidido sair em outro horário. Ainda assim, Miguel sentiu falta da habitual caminhada até a escola. Não era apenas o trajeto. Era a conversa no caminho, as brincadeiras e a oportunidade de começar o dia contando alguma coisa que havia acontecido na noite anterior.

Respondeu com um simples "beleza" e guardou o aparelho no bolso.

Durante o caminho, encontrou um conhecido da vizinhança, cumprimentou um senhor que varria a calçada e parou em uma padaria para comprar um salgado. Quando finalmente chegou à escola, Samuel já estava no pátio, conversando com Caio e outros dois garotos. Os quatro pareciam bastante entretidos com alguma história, porque Samuel ria de um jeito que Miguel conhecia muito bem. Era aquela risada alta, despreocupada, que costumava aparecer quando os dois estavam juntos.

Miguel se aproximou, ajeitando a alça da mochila no ombro.

— Bom dia para quem tem amigos e péssimas influências — anunciou.

Samuel virou o rosto e sorriu.

— Olha quem apareceu!

— Estou vendo que a reunião dos importantes já começou.

Caio riu e estendeu a mão para cumprimentá-lo.

— Você deve ser o Miguel. O Samuel fala bastante de você.

Miguel apertou a mão dele, surpreso.

— Espero que fale bem.

— Depende do dia — Samuel respondeu.

— Então ele fala a verdade. Já é alguma coisa.

Os garotos riram, e Miguel tentou entrar na conversa. Caio contou que eles estavam combinando de jogar bola naquela tarde, enquanto André, um dos colegas que estava com eles, reclamava que Samuel havia perdido um gol fácil no último jogo. Samuel começou a se defender, explicando que a bola havia quicado de um jeito estranho, que o campo estava ruim e que ninguém teria conseguido marcar naquela situação.

Miguel conhecia aquela história. Samuel sempre encontrava uma explicação para os próprios erros, principalmente quando se tratava de futebol. A diferença era que, daquela vez, ele não tinha participado do jogo. Precisou acompanhar a conversa a partir dos comentários dos outros, tentando entender quem havia feito cada coisa e por que todos pareciam achar aquilo tão engraçado.

— Você precisava ter visto a cara dele — Caio disse, rindo. — Ficou uns cinco minutos reclamando com a bola.

— A bola estava errada — Samuel respondeu, muito sério.

Miguel soltou uma gargalhada.

— Essa eu conheço. Quando ele era menor, perdeu uma partida e ficou culpando o vento.

— Eu tinha nove anos!

— E agora tem dezessete e continua procurando culpados.

Samuel empurrou o ombro dele, rindo. Por alguns instantes, Miguel sentiu que tudo estava no lugar novamente. A conversa voltou a ser familiar, e ele conseguiu brincar com o amigo como sempre fazia. Talvez estivesse exagerando. Samuel tinha conhecido pessoas novas, mas isso não significava que a amizade dos dois estivesse mudando de verdade.

O sinal tocou, interrompendo a conversa. Os estudantes começaram a se dirigir às salas, e Miguel acompanhou Samuel pelo corredor. Na porta da sala, porém, Caio chamou o amigo.

— Samuel, senta com a gente hoje. O André vai me passar umas anotações antes da aula.

Samuel olhou para Miguel.

— Tudo bem para você?

A pergunta pegou Miguel desprevenido. Durante quase todo o ano, os dois haviam sentado juntos. Não existia uma regra escrita, mas era um daqueles hábitos que pareciam tão naturais que ninguém precisava discutir. Miguel olhou para as carteiras e percebeu que, se Samuel fosse sentar com os outros garotos, ele ficaria sozinho naquele dia.

— Claro — respondeu. — Pode ir.

Samuel agradeceu com um sorriso e acompanhou Caio até o fundo da sala.

Miguel permaneceu parado por alguns segundos antes de escolher uma carteira perto da janela. Tirou o caderno da mochila, pegou uma caneta e tentou prestar atenção no movimento dos outros estudantes. Não estava exatamente triste. Seria exagero dizer isso por causa de uma simples troca de lugar. Mesmo assim, sentiu um desconforto que não sabia explicar.

Era estranho perceber que uma coisa tão pequena podia chamar tanta atenção. Samuel não havia deixado de ser seu amigo. Continuava cumprimentando-o, fazendo piadas e conversando com ele durante os intervalos. Só que, pela primeira vez em muito tempo, Miguel percebeu que a presença do amigo não era algo que pudesse considerar garantido em todos os momentos.

A aula começou, e ele tentou se concentrar na explicação do professor. Anotou algumas informações, respondeu a uma pergunta e até conseguiu terminar uma atividade antes do fim do período. Quando o sinal tocou, guardou o material e se preparou para procurar Samuel. Antes que pudesse se levantar, porém, Rebeca apareceu ao lado de sua carteira.

— Você vai ficar aí ou vem com a gente?

Miguel olhou para ela.

— Com a gente quem?

— Eu, o Gabriel, o Samuel e o pessoal. Vamos comprar alguma coisa na cantina.

— Ah, vou, claro.

Rebeca esperou enquanto ele colocava o caderno na mochila. Os dois saíram da sala e encontraram Gabriel perto da escada, discutindo com Samuel sobre qual salgado da cantina valia mais a pena comprar. Caio e André também estavam por perto, e o grupo seguiu pelo corredor em direção ao pátio.

A conversa era animada. Gabriel contava uma história sobre um vizinho que havia tentado consertar o próprio carro e acabado precisando chamar um mecânico. Rebeca fazia comentários engraçados, Samuel ria e Caio acrescentava detalhes que pareciam tornar tudo ainda mais absurdo.

Miguel gostava de Gabriel e Rebeca. Já conhecia os dois havia bastante tempo, embora nem sempre saíssem juntos. Com Gabriel, as conversas geralmente aconteciam na escola, enquanto Rebeca costumava aparecer nos encontros que ele e Samuel combinavam. Nunca havia se sentido um estranho perto deles. Naquele dia, no entanto, teve a impressão de que estava entrando em uma conversa que já havia começado muito antes de sua chegada.

— Você tinha que ver o lugar — Gabriel dizia. — O cara colocou tanta peça errada que o carro parecia ter sido montado por cinco pessoas diferentes.

— Pelo menos funcionava? — Miguel perguntou.

— Funcionava. Só não dava para confiar muito.

— Então era igual ao computador do laboratório da escola.

Rebeca riu.

— Aquele computador não funciona desde o ano passado.

— E mesmo assim continuam mandando a gente fazer trabalho nele. Isso é confiança no potencial do equipamento.

O grupo começou a rir, e Miguel se sentiu mais à vontade. Sentaram-se em uma mesa perto da cantina, dividiram alguns salgados e passaram boa parte do intervalo conversando sobre professores, provas e os planos para o fim de semana. Por alguns minutos, Miguel conseguiu esquecer o desconforto da manhã.

Até que Samuel mencionou uma coisa que aconteceu na noite anterior.

— Cara, vocês precisavam ter visto o vídeo que o Caio mostrou ontem. Eu quase caí da cadeira.

Caio pegou o celular e começou a procurar o vídeo. André se inclinou para olhar a tela, e os dois começaram a rir antes mesmo de mostrar o conteúdo aos demais.

— Esse é o que eu te falei ontem — Samuel disse, virando o aparelho na direção de Rebeca.

Ela assistiu, soltou uma gargalhada e pediu que ele voltasse alguns segundos.

Miguel observou a cena em silêncio.

Não era a primeira vez que os amigos compartilhavam uma experiência da qual ele não participava. Isso acontecia com todo mundo. As pessoas saíam, conheciam lugares, conversavam e faziam coisas quando estavam longe umas das outras. Ele próprio tinha histórias que Samuel não conhecia. Ainda assim, havia algo diferente na maneira como os três pareciam compartilhar aquelas lembranças. Existiam piadas que Miguel não entendia, situações que não conhecia e pequenos detalhes que faziam os outros rirem sem que ele soubesse o motivo.

— Depois a gente tem que marcar de novo — Caio comentou. — Foi muito bom ontem.

— Com certeza — Samuel respondeu.

Miguel pegou o copo de suco e bebeu um pouco, tentando disfarçar a sensação de estar sobrando.

— Vocês saíram ontem? — perguntou, procurando manter a voz natural.

Samuel olhou para ele.

— Saímos. Fomos na quadra e depois ficamos um pouco na praça.

— Legal.

— Você estava ocupado, né?

Miguel assentiu.

— Estava ajudando minha mãe em casa.

— Foi o que eu pensei.

A conversa seguiu para outro assunto, mas Miguel permaneceu pensando naquela resposta. Samuel não tinha obrigação de convidá-lo para tudo. Ele sabia disso. Só que uma parte dele gostaria de ter recebido ao menos uma mensagem, um convite ou qualquer sinal de que o amigo havia pensado em chamá-lo.

O problema não era a praça, a quadra ou o vídeo engraçado. Era perceber que Samuel estava começando a construir uma rotina que não dependia dele.

E Miguel não sabia muito bem o que fazer com essa descoberta.

Naquela tarde, depois das aulas, Samuel avisou que iria jogar bola com Caio e André. Miguel estava guardando os livros na mochila quando ouviu o amigo comentar que eles se encontrariam perto da quadra por volta das quatro horas.

— Você vai também? — Samuel perguntou.

Miguel ergueu os olhos, surpreso com o convite.

— Vou. Por que não?

— Então fechou. Aparece lá.

Samuel se despediu rapidamente e saiu acompanhado dos outros garotos. Miguel ficou alguns minutos na sala, terminando de organizar o material, antes de seguir para casa. No caminho, tentou decidir se estava realmente com vontade de jogar bola ou se apenas não queria ficar de fora novamente.

A resposta não era muito agradável, mas ele conhecia a si mesmo o suficiente para desconfiar que havia um pouco das duas coisas.

Em casa, almoçou, ajudou a mãe com algumas tarefas e passou um tempo no quarto mexendo no celular. Pouco antes das quatro, trocou de roupa e saiu em direção à quadra. Encontrou Samuel, Caio e André jogando com outros dois garotos que ele conhecia apenas de vista. Um deles era alto, usava uma camiseta azul e parecia ter bastante intimidade com Samuel, porque os dois conversavam e brincavam entre uma jogada e outra.

— Miguel! — Samuel chamou, levantando a mão. — Vem completar o time.

Miguel deixou a mochila perto do banco e entrou na quadra. Nos primeiros minutos, tudo correu bem. Jogou com Samuel, discutiu com Caio por causa de uma falta e riu quando André chutou a bola para longe do gol. Era o tipo de tarde que ele conhecia e de que gostava. O problema apareceu quando o jogo terminou e todos se sentaram para descansar.

O garoto da camiseta azul se apresentou como Pedro. Estudava em outra escola e havia conhecido Samuel por meio de Caio. Os três começaram a conversar sobre um campeonato que pretendiam organizar nas semanas seguintes. Miguel ouviu a conversa, interessado, até descobrir que os planos já estavam sendo discutidos havia alguns dias.

— A gente podia fazer os jogos aos sábados — Pedro sugeriu. — Assim todo mundo consegue participar.

— Para mim funciona — Samuel respondeu.

— Para mim também — Caio disse. — Depois a gente combina o resto no grupo.

Miguel olhou de um para o outro.

— Que grupo?

Caio pegou o celular.

— Ah, criamos um grupo para organizar as coisas. Tem o pessoal que joga com a gente.

— Entendi.

Não havia qualquer intenção de excluí-lo. Miguel percebeu isso quando Caio explicou que o grupo tinha sido criado depois de uma partida e que eles ainda estavam adicionando pessoas. Mesmo assim, a informação o atingiu de um jeito inesperado. Samuel tinha um grupo novo, compromissos novos e pessoas com quem compartilhava planos que Miguel nem sabia que existiam.

Por um instante, teve vontade de perguntar por que não havia sido incluído antes. A pergunta chegou a se formar em sua cabeça, mas ele desistiu. Não queria parecer ciumento, muito menos dar a impressão de que precisava controlar as amizades do melhor amigo.

— Depois me passa o contato do Pedro — Miguel pediu, tentando mudar de assunto. — Se vocês forem organizar esse campeonato, eu também quero jogar.

— Claro! — Samuel respondeu. — Vai ser legal.

A resposta foi sincera, e isso tornou tudo ainda mais confuso. Samuel não estava tentando afastá-lo. Não havia uma discussão acontecendo, nem uma decisão de terminar a amizade. O que existia era algo muito mais difícil de apontar: uma mudança gradual, feita de convites que surgiam tarde, conversas das quais Miguel não participava e momentos que antes pertenciam aos dois, mas que agora eram compartilhados com outras pessoas.

Quando a tarde terminou, os garotos começaram a se despedir. Pedro convidou Samuel para jogar novamente no domingo, e ele aceitou. Miguel estava perto o suficiente para ouvir a conversa, mas ninguém perguntou se ele também gostaria de ir.

Na volta para casa, Samuel caminhou ao lado dele durante algumas quadras. Falou sobre o campeonato, comentou que Pedro jogava muito bem e reclamou de uma falta que Caio havia cometido. Miguel respondeu quando precisava, mas estava mais quieto do que de costume.

— Você está estranho hoje — Samuel comentou.

— Estou normal.

— Você está falando igual à minha mãe quando ela diz que está tudo bem.

Miguel soltou uma risada curta.

— Talvez eu esteja cansado.

Samuel olhou para ele, como se tentasse decidir se deveria insistir. Por alguns segundos, Miguel pensou em contar o que estava sentindo. Poderia dizer que sentia falta de passar mais tempo com o amigo, que estava achando estranho conhecer tão pouco daquela nova rotina ou que simplesmente não sabia como se encaixar em um grupo que parecia já funcionar muito bem sem ele.

Mas não disse nada.

Tinha medo de que Samuel interpretasse aquilo como uma cobrança. Tinha medo de ouvir que estava exagerando. E, acima de tudo, tinha medo de descobrir que o amigo realmente não sentia falta dos momentos que os dois costumavam compartilhar.

— Você vai fazer alguma coisa amanhã? — Miguel perguntou, desviando a conversa.

— Acho que vou sair com o pessoal. Ainda não sei direito.

Miguel assentiu.

— Beleza.

— Mas a gente se fala.

— Claro.

Samuel sorriu, deu um abraço rápido no amigo e seguiu pela rua que levava à sua casa. Miguel continuou caminhando sozinho, com as mãos nos bolsos e a cabeça cheia de pensamentos que pareciam não chegar a lugar nenhum.

Naquela noite, depois do jantar, Miguel ficou algum tempo sentado na cama, olhando as fotografias antigas que tinha no celular. Havia uma imagem dos dois quando eram crianças, cobertos de terra depois de uma tarde jogando bola na rua. Em outra, Samuel aparecia usando um boné ridículo que Miguel havia comprado para ele de presente. Existiam fotos de aniversários, passeios, festas de família e tardes em que não tinham feito absolutamente nada além de ficar sentados na calçada conversando.

Miguel sorriu ao lembrar daqueles momentos. Depois, abriu a conversa com Samuel e começou a escrever uma mensagem.

"Você está diferente comigo?"

Ficou olhando para a frase por alguns segundos. Parecia uma pergunta simples, mas, quanto mais a lia, mais estranha ela ficava. Samuel poderia responder que não, e Miguel continuaria sentindo o mesmo desconforto. Poderia perguntar por que ele estava dizendo aquilo, obrigando-o a explicar sentimentos que nem ele próprio entendia direito. Ou poderia interpretar a mensagem como uma acusação e ficar irritado.

Miguel apagou tudo.

Bloqueou a tela do celular e se deitou, tentando convencer a si mesmo de que não havia motivo para preocupação. Samuel continuava sendo seu melhor amigo. Eles ainda conversavam, riam e faziam planos. Nada havia terminado. Talvez ele só precisasse se acostumar com os novos colegas, participar de alguns encontros e encontrar seu próprio espaço naquele grupo.

Era uma explicação razoável. Miguel gostava de explicações razoáveis, principalmente quando elas o ajudavam a não pensar demais.

Mas, antes de dormir, uma pergunta continuou incomodando sua cabeça.

Durante tantos anos, Miguel acreditou que conhecia Samuel melhor do que qualquer outra pessoa. Sabia suas manias, seus medos, suas preferências e a maneira como reagia às pequenas coisas. Conhecia as histórias da infância, os problemas familiares e até os sonhos que o amigo tinha vergonha de contar aos outros.

Agora, porém, havia conversas que ele não conhecia, lugares aos quais não tinha ido e pessoas que pareciam descobrir novas versões de Samuel enquanto ele continuava preso às antigas.

Será que conhecia mesmo o melhor amigo tão bem quanto imaginava?

Miguel virou de lado, puxou o cobertor e fechou os olhos. Não encontrou uma resposta naquela noite. Talvez porque ainda estivesse tentando entender o que havia mudado. Talvez porque, no fundo, soubesse que a pergunta não era apenas sobre Samuel.

Era também sobre ele próprio, sobre o lugar que ocupava na vida das pessoas e sobre o que aconteceria quando os hábitos que sempre lhe deram segurança começassem a desaparecer.

Na manhã seguinte, ele provavelmente encontraria Samuel na escola, faria alguma piada e seguiria o dia como sempre. Talvez os dois voltassem a caminhar juntos, talvez combinassem alguma coisa para o fim de semana. Miguel ainda tinha esperança de que tudo pudesse continuar igual.

Só não percebia que, enquanto tentava descobrir como manter a amizade de antes, Samuel já estava descobrindo como seria a vida dali para a frente.