Os ecos dos passos e o som da chuva ainda dominavam o ambiente enquanto Ana, Pedro, Luana e Marcos avançavam pela casa velha. A cada passo dado, o corredor parecia se esticar interminavelmente, e o medo crescente na atmosfera parecia se manifestar em sombras que dançavam nas paredes. O forte estrondo que haviam ouvido fez com que o grupo se aproximasse ainda mais cautelosamente, seus corações batendo forte no peito.
Pedro acabou ficando na frente, com a câmera ligada e o rosto pálido de ansiedade. Ele tentava focar a lente na escuridão do corredor, mas a tensão estava tornando seu trabalho cada vez mais difícil. Luana, um pouco atrás, tentava se concentrar em não deixar que o medo a dominasse, mas as sombras distorcidas e o som constante da chuva pareciam amplificar seus temores. Ana e Marcos se moviam lentamente, observando cada detalhe.
O vento frio que entrava pelas janelas quebradas parecia sussurrar alguma palavra, e o cheiro de mofo e podridão parecia preencher o ar. Ana olhou para Marcos e, com uma expressão preocupada, disse:
—Devemos seguir em frente? Isso não está certo. Sinto que estamos sendo observados.
Marcos, tentando mostrar alguma bravura, respondeu:
—Não podemos voltar agora. Já estamos aqui, e não vamos deixar que isso nos vença. Devemos descobrir o que está causando esses barulhos. Vai dizer que você não está curiosa?
O grupo chegou à porta do quarto de onde o barulho parecia ter vindo. Era uma porta pesada de madeira, com a pintura descascada e coberta por uma espessa camada de poeira. Ana estendeu a mão e, com um esforço, empurrou a porta, que se abriu com o mesmo rangido sinistro. O quarto estava escuro, e uma densa nuvem de poeira se levantou ao serem perturbadas as partículas no ar.
Pedro entrou primeiro, apontando a lanterna para os cantos escuros. O quarto estava cheio de móveis cobertos com os mesmos lençóis brancos, que se moviam suavemente com a corrente de ar. O cheiro de umidade e deterioração era ainda mais forte ali dentro. Luana e Marcos seguiram Pedro, tentando manter a calma apesar da sensação crescente de que algo estava errado. Quando Pedro acendeu a lanterna para iluminar uma antiga escrivaninha em um canto do quarto, notou algo peculiar.
Havia um livro antigo aberto sobre a mesa, suas páginas amareladas e cobertas de poeira. Ele se aproximou para examinar o livro, mas antes que pudesse ver com mais detalhes, a luz da lanterna piscou e apagou. O grupo ficou em completa escuridão. Ana soltou um grito abafado, e Marcos tentou acalmar a situação, procurando desesperadamente por pilhas de reserva para a lanterna. Enquanto isso, o silêncio na casa parecia se tornar ainda mais opressivo, e um frio inexplicável começou a envolver o grupo.
Pedro conseguiu reanimar a lanterna com as pilhas extras, e quando a luz voltou, o grupo percebeu que o livro sobre a escrivaninha havia desaparecido.
—Isso não faz sentido. —murmurou Pedro, olhando para o lugar onde o livro estava.
—A-alguém ou algo deve ter movido isso... —Luana estava visivelmente perturbada, e seu olhar inquieto examinava o quarto. —Vamos dar uma olhada em outro lugar. Não é seguro aqui! —sugeriu ela, sua voz tremendo.
Pedro e Marcos concordaram, e eles decidiram explorar o resto do andar. Ao sair do quarto, o grupo passou por uma sala que parecia ter sido uma biblioteca. Livros antigos estavam empilhados desordenadamente, e o ar estava carregado com o cheiro de papel envelhecido. Marcos pegou um dos livros e o folheou rapidamente.
—Aqui está um livro sobre a história da casa. —Ele comentou, tentando focar na pesquisa para distrair-se do medo crescente. Ana, no entanto, não conseguia se concentrar nos livros. Ela tinha a sensação de que estava sendo observada.
—Há algo estranho nesta casa! Eu falei... —disse ela— ...eu sinto uma presença, como se alguém estivesse nos seguindo.
Os amigos se entreolharam, e Pedro decidiu que era melhor descer para o térreo para tentar recuperar um pouco da confiança do grupo. Eles desceram cuidadosamente, tentando evitar fazer barulho. O barulho da chuva ainda batia contra as janelas, e o vento assobiava através das rachaduras nas paredes. Ao chegarem ao andar inferior, a sensação de desconforto não diminuía.
Eles estavam na cozinha, onde as prateleiras estavam vazias e os utensílios de cozinha cobertos de poeira. Ana se aproximou de uma das janelas e, ao olhar para fora, viu uma figura escura se movendo rapidamente entre as árvores. Seu coração disparou e ela gritou: —Olhem lá fora!
Pedro e Marcos correram até a janela para verificar, mas não havia nada além da chuva e das árvores balançando ao vento.
—Você deve estar vendo coisas, Ana. Você está com medo! —disse Pedro, tentando manter a calma, mas sua voz traía uma pitada de dúvida.
O grupo decidiu se reunir novamente no centro da cozinha e revisar o plano. Pedro sugeriu que se separassem para explorar diferentes partes da casa e tentar reunir informações sobre o que estava acontecendo. Ana e Luana decidiram investigar o porão, enquanto Pedro e Marcos continuariam a explorar o restante do andar térreo.
À medida que Ana e Luana desciam para o porão, a atmosfera se tornava cada vez mais fria e sombria. O ar estava pesado e úmido, e o som da chuva parecia abafado. A cada passo, o chão rangia, e um calafrio percorreu suas espinhas. O porão estava cheio de itens velhos e abandonados, como caixas empilhadas e móveis cobertos de cobertores.
Ana acendeu uma lanterna e começou a examinar as caixas. Luana se aproximou de uma velha mesa e encontrou uma série de documentos empoeirados. Enquanto isso, no andar superior, Pedro e Marcos continuavam a explorar, sem saber que os eventos daquela noite estavam prestes a tomar um rumo ainda mais sombrio e perigoso. A sensação de que algo estava se aproximando parecia crescer a cada minuto, e o medo que havia começado como uma sensação vaga estava se tornando uma presença palpável e ameaçadora.
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