Capítulo 2: A Viagem ao Desconhecido


A viagem de Otávio para a capital começou cedo na manhã seguinte. Ele se acomodou no trem, segurando seu violino com cuidado, enquanto o mundo ao seu redor começava a se movimentar. O trem balançava suavemente, e Otávio tentava se familiarizar com os sons e as sensações novas que o cercavam.

Um passageiro gentil, ao perceber que Otávio estava sozinho e visivelmente cego, se aproximou.

— Olá, jovem. Posso ajudar com algo? — perguntou o homem, um pouco preocupado.

— Olá — respondeu Otávio, sorrindo com a voz. — Estou bem, obrigado. Apenas tentando me acostumar com a viagem.

— É a primeira vez que vai para a capital? — perguntou o homem, ajudando Otávio a se ajustar no assento.

— Sim, é. Estou indo para um concurso de música — explicou Otávio, com um tom de orgulho. — Nunca estive na cidade antes.

— A capital pode ser um lugar bastante confuso, mas tem muitas pessoas boas por lá. Se precisar de ajuda, é só chamar — disse o homem, colocando a mão no ombro de Otávio de forma reconfortante.

Otávio agradeceu com sinceridade.

— Muito obrigado. Vou lembrar disso.

O trem começou a acelerar, e Otávio fechou os olhos para se concentrar na música que tocaria. No entanto, a viagem não foi sem seus desafios. O barulho e a movimentação constantes eram uma nova experiência para ele, e o conforto da sua cidade natal parecia distante.

À medida que o trem avançava, Otávio tentava relaxar e visualizar a música que havia ensaiado. As horas se passaram e, ao final do dia, o trem finalmente chegou à estação da capital. A cidade era um turbilhão de sons e cheiros que Otávio tentava compreender.

Ao sair do trem, ele foi recebido por uma jovem que se apresentava como guia do concurso.

— Olá, você deve ser Otávio, certo? — perguntou ela, com um tom amigável.

— Sim, sou eu. — respondeu Otávio, ajustando o violino nas costas. — Estou pronto para seguir.

— Ótimo. Vou te levar ao hotel onde você vai ficar. A competição começa amanhã, então vamos garantir que você esteja confortável e preparado.

Enquanto caminhavam pelas ruas movimentadas da capital, Otávio sentia a energia vibrante da cidade. O som dos carros, das pessoas conversando e das buzinas era um mosaico de sensações que ele tentava processar. A jovem guia notou a dificuldade de Otávio e começou a descrever o ambiente para ele.

— Estamos passando por uma grande praça agora. Há muitas lojas e pessoas se movendo em todas as direções. É um lugar bem animado — explicou ela.

— Deve ser um lugar fascinante — comentou Otávio. — Imagino como deve parecer.

— É realmente bonito, especialmente à noite, quando as luzes brilham. Mas, por enquanto, vou me certificar de que você esteja confortável no hotel.

Ao chegar ao hotel, Otávio foi conduzido até seu quarto, um espaço simples, mas acolhedor. A jovem guia lhe deu um breve resumo sobre o que esperar no dia seguinte e se despediu com um sorriso encorajador.

— Descanse bem esta noite. Você tem um grande desafio amanhã, mas eu tenho certeza de que vai se sair muito bem — disse ela, antes de sair.

Otávio sentou-se na beirada da cama e começou a tocar algumas notas em seu violino, tentando acalmar seus nervos. A música lhe proporcionava uma sensação de paz e clareza. Ele pensou em sua avó e na força que ela sempre lhe transmitiu.

— Avó, eu vou dar o meu melhor — sussurrou para si mesmo, com determinação. — Vou mostrar a todos que, mesmo sem ver, posso iluminar o mundo com minha música.

Com isso, Otávio se preparou para uma noite de sono tranquila, sonhando com a apresentação que estava por vir. A cidade grande, com suas promessas e desafios, estava agora à sua espera, e ele estava pronto para enfrentá-los com coragem e esperança.