Capítulo 3: Alguém desapareceu

A chuva continuava a cair com intensidade, batendo contra as janelas da casa velha e criando uma cacofonia de sons que misturavam o som das gotas com os rangidos e estalos da mansão. Ana e Luana, agora no porão, tentavam se acostumar com a atmosfera opressiva e o cheiro de mofo que dominava o ambiente. O porão estava repleto de itens antigos, como caixas empilhadas e móveis cobertos por lençóis puídos. Ana iluminou a área com a lanterna, revelando um labirinto de objetos abandonados.

Parece que aqui foi o depósito da casa. comentou Ana, movendo uma caixa para o lado— Há tantas coisas aqui. Precisamos encontrar algo que possa nos ajudar a entender o que está acontecendo.

Luana examinava os documentos encontrados na velha mesa, tentando decifrar a caligrafia empoeirada.

Estes papéis parecem ser antigos registros da casa. Vou dar uma olhada mais detalhada disse ela, sua voz ecoando no ambiente silencioso do porão.

As duas amigas estavam imersas em suas tarefas, alheias ao que estava prestes a acontecer.

No andar térreo, Pedro e Marcos estavam explorando o salão principal. A iluminação das lanternas continuava criando sombras distorcidas nas paredes, e o som da chuva ainda se fazia ouvir com uma intensidade quase ensurdecedora. Pedro estava agora mais preocupado com o tempo que passava.

Precisamos nos apressar... disse ele— ...já está ficando tarde, e a nossa busca está levando mais tempo do que esperávamos.

Marcos, que tentava manter o ânimo, fez uma piada para aliviar a tensão, mas o sorriso em seu rosto era forçado.

Sim, mas onde diabos estão Ana e Luana? Devemos ter checado o porão há um bom tempo.

Enquanto Pedro e Marcos discutiam sobre o que fazer a seguir, Ana e Luana estavam cada vez mais absorvidas em suas descobertas. Luana encontrou um livro antigo com capas em couro desgastadas e começou a folheá-lo, enquanto Ana examinava uma antiga caixa de ferramentas. O som da chuva e o silêncio pesado da casa davam a sensação de que algo estava prestes a acontecer.

A tensão começou a aumentar quando Ana ouviu um som estranho vindo do andar de cima. Era um som sutil, quase como um sussurro. Ela se aproximou de Luana e disse:

Você ouviu isso? Parece que há algo se movendo lá em cima.

Luana levantou os olhos dos documentos e ouviu o som também. Pode ser apenas a casa se mexendo com a chuva e o vento, ou pode ser os meninos querendo nos assustar. Mas vamos verificar. Não podemos ignorar nada.

As duas subiram cautelosamente as escadas, cada passo ressoando com uma sensação crescente de apreensão. Quando chegaram ao andar superior, encontraram o corredor escuro e silencioso, mas não havia sinal dos outros.

Devemos procurar por Pedro e Marcos disse Ana— Eles podem estar em perigo!

O grupo de amigos, separado pela casa, estava prestes a descobrir que o perigo era muito mais real e iminente do que haviam imaginado. Pedro e Marcos estavam no salão principal, quando ouviram um som baixo e perturbador vindo da direção do andar superior.

Parece que alguém está se movendo lá em cima! comentou Marcos, sua voz tensa.

Pedro tentou acender a lanterna mais uma vez, e a luz piscou antes de finalmente se estabilizar. Eles começaram a subir as escadas, seu nervosismo crescendo a cada degrau. Quando chegaram ao andar superior, encontraram os quartos vazios e o corredor silencioso, com apenas o som da chuva como companhia.

Ana e Luana, do outro lado da casa, estavam na mesma situação. Seus olhos se moviam de um lado para o outro, tentando identificar qualquer sinal dos amigos desaparecidos.

Não podemos continuar assim disse Luana— Devemos nos dividir e procurar em diferentes cômodos.

—De maneira alguma. Isso não é uma boa ideia!

Enquanto Pedro e Marcos procuravam, uma sensação de desconforto crescente tomou conta deles. O corredor parecia interminável e o ambiente cada vez mais claustrofóbico. Em um dos quartos, Pedro encontrou uma pista – uma antiga caixa de madeira com um cadeado enferrujado. Ele tentou abrir, mas o cadeado estava preso.

No andar de baixo, Ana e Luana, em sua busca, encontraram uma porta trancada que parecia levar a uma área não explorada da casa. Ana usou uma chave velha que havia encontrado em um dos gaveteiros da cozinha para destrancar a porta. O som do cadeado quebrando ecoou pelo silêncio da casa. O grupo, agora separado e disperso, estava começando a sentir a pressão crescente do ambiente. O medo era palpável, e a sensação de que algo estava observando cada movimento se intensificava.

Pedro e Marcos finalmente encontraram o quarto onde Ana e Luana haviam estado, mas não havia sinal delas.

Elas devem ter ido para outro lugar disse Pedro, sua voz tensa.

No porão, Ana e Luana estavam a ponto de voltar para a superfície quando ouviram um barulho vindo do andar de cima.

O que foi isso? perguntou Luana, com os olhos arregalados.

Elas decidiram verificar, mas o que encontraram deixou-as horrorizadas. O quarto que Pedro e Marcos haviam explorado estava vazio, e o cheiro de mofo parecia ter aumentado. Marcos parecia estar desacordado no chão.  Foi quando elas perceberam a ausência de Pedro.

A busca por ele começou com uma sensação de crescente desespero.

Pedro, onde você está? gritou Ana, sua voz ecoando pelos corredores vazios. O medo estava agora em alta, e o grupo se viu confrontado com uma realidade aterrorizante.

Ana e Luana finalmente encontraram uma pista que poderia explicar o desaparecimento  uma porta secreta no fundo de um armário, parcialmente aberta. O que estava além dessa porta e a razão para o desaparecimento de Pedro ainda eram um mistério, mas uma coisa era clara: a Casa Velha tinha algo muito mais sinistro guardado em suas profundezas.