Guilherme acordou naquela manhã com uma missão: conquistar a professora Pilar de uma vez por todas. O problema era que, nos últimos dias, ele notou um rival inesperado. O diretor Adriano, aquele homem sério que mais parecia uma estátua de mármore, também estava de olho nela. Para Guilherme, aquilo era inaceitável. Era hora de agir.
— Eu não vou perder praquele terno ambulante — murmurou Guilherme, enquanto dobrava pedaços de papel colorido. Ele passara a noite inteira fazendo flores de origami. O plano era simples: impressionar Pilar com algo único, criativo e, claro, romântico. Ele chamaria o buquê de "flores do conhecimento", algo que Pilar, como professora, certamente iria apreciar.
Quando Guilherme chegou à sala de aula, segurando seu buquê de origamis como se fosse um troféu, os colegas ficaram intrigados. Rafael, sempre curioso, logo se aproximou.
— Que isso, cara? Tá virando artista plástico agora?
Guilherme sorriu com confiança.
— São flores do conhecimento, meu caro. Uma obra-prima para uma obra-prima... Pilar.
Rafael revirou os olhos, já prevendo a tragédia.
— Tá legal. Só tenta não fazer papel de bobo, ok?
Enquanto isso, Adriano também se preparava para o seu "ataque". Ele havia decidido que era hora de se aproximar de Pilar com um toque de autoridade pedagógica. Seu plano? Fazer uma visita à sala de aula para discutir "questões pedagógicas urgentes". Claro que ele não sabia exatamente o que discutir, mas isso era o de menos. Ele queria estar lá, perto dela, mostrar sua "profundidade intelectual" novamente.
A campainha tocou e a aula começou. Pilar entrou na sala, como sempre, irradiando seu carisma natural. Guilherme esperou o momento perfeito para entregar seu presente, enquanto Adriano, do lado de fora, ajustava o nó da gravata e respirava fundo antes de entrar.
Assim que Pilar começou a escrever no quadro, Guilherme se levantou de repente, interrompendo a aula.
— Professora Pilar, eu... fiz isso pra senhora.
Pilar se virou, surpresa, e olhou para o buquê de origamis que Guilherme estendia com um sorriso bobo.
— São... flores do conhecimento. Como professora, achei que a senhora gostaria de algo que florescesse a mente — disse ele, com um olhar cheio de expectativa.
Pilar piscou, visivelmente surpresa, mas sorriu gentilmente.
— Que criativo, Guilherme. Muito obrigada, são... bem diferentes. — Ela pegou o buquê com cuidado, claramente tocada pelo gesto, embora sem saber muito bem o que fazer com aquilo.
Antes que Guilherme pudesse se gabar para a turma, a porta da sala se abriu com um estrondo. Era Adriano, segurando uma pilha de papéis.
— Professora Pilar, podemos discutir questões pedagógicas urgentes? — disse ele, com a voz mais firme do que o necessário.
Guilherme estreitou os olhos.
— Questões pedagógicas? Agora? — resmungou, baixinho.
Adriano entrou na sala com passos decididos, mas ao se aproximar da mesa de Pilar, o nervosismo começou a tomar conta. Ele tentou colocar os papéis na mesa, mas, como se o universo estivesse conspirando contra ele, todos os papéis escorregaram de suas mãos, espalhando-se pelo chão. Pilar olhou para baixo, atônita, enquanto Adriano, vermelho de vergonha, tentava desesperadamente recolher os papéis.
— Desculpe, eu... é só uma... uma discussão importante sobre... ahn... inclusão educacional! — gaguejou Adriano, quase derrubando a cadeira ao se levantar.
Pilar, tentando manter a compostura, inclinou-se para ajudá-lo, mas não conseguiu esconder o sorriso.
— Está tudo bem, diretor. Podemos discutir isso depois. Parece que o senhor está com um dia... complicado.
Adriano, ainda de joelhos no chão, segurando os papéis amassados, balançou a cabeça.
— Claro, claro. Nada que eu não possa... resolver.
Enquanto isso, Guilherme aproveitava a cena.
— Parece que o diretor tá precisando de uma aula sobre equilíbrio — cochichou para Rafael, que riu baixo.
A guerra de flertes estava declarada. De um lado, o diretor desajeitado, tentando parecer sério e intelectual, mas tropeçando em suas próprias tentativas. Do outro, Guilherme, com suas flores de papel e trocadilhos mal disfarçados, tentando conquistar o coração de Pilar com criatividade. Pilar, no meio de tudo isso, começava a achar que estava presa em um tipo muito estranho de azar amoroso.
Adriano finalmente conseguiu se levantar, ajeitando a gravata e tentando recuperar a dignidade.
— Eu... volto mais tarde, professora. A gente... conversa sobre a inclusão. — E, sem esperar resposta, saiu da sala com pressa, quase tropeçando novamente.
Pilar suspirou, ainda sorrindo, e colocou as flores de origami na mesa.
— Vocês dois estão me dando muito o que pensar hoje... — murmurou, balançando a cabeça.
Guilherme olhou para Rafael e, com um sorriso vitorioso, sussurrou:
— Primeiro round: Guilherme.
Mas ele sabia que a batalha estava longe de acabar.
.png)