Capítulo 3: Confidências e Conflitos

 A bordo do Titanic, a vida continuava com o mesmo glamour e sofisticação. Fillemon havia começado a se sentir mais confortável com sua nova rotina e, finalmente, tinha uma oportunidade para relaxar e desfrutar de alguns momentos fora de serviço.

Na tarde daquele dia, Fillemon foi até a área da piscina, onde encontrou Isabella e Henry, que estavam relaxando em espreguiçadeiras e conversando animadamente.

— Olá, Fillemon! — saudou Henry com entusiasmo, ao vê-lo se aproximar. — Espero que tenha encontrado a piscina a seu gosto.

— Sim, é um ótimo lugar para relaxar. — respondeu Fillemon, tentando se integrar ao grupo.

Isabella, que estava lendo um livro, levantou os olhos e sorriu ao vê-lo. — Fillemon, que bom que você veio. Henry estava me contando sobre as aventuras dele em alto-mar.

Henry riu. — Bem, algumas são mais emocionantes do que outras. Hoje mesmo, passei um bom tempo tentando pescar algo do convés. Resultado: nada além de um par de sapatos velhos.

Isabella sorriu, divertindo-se com a história. — Deve ter sido um dia interessante.

Fillemon aproveitou o momento para puxar conversa sobre um tópico mais pessoal. — Isabella, você mencionou que sua vida no Brasil é muito diferente do que vemos aqui. Pode me contar mais sobre como é viver lá?

Isabella hesitou por um momento, mas depois decidiu compartilhar. — Claro. A vida em Minas Gerais é muito mais tranquila do que aqui. Temos uma grande fazenda, onde cultivamos café e outros produtos. É um lugar onde a simplicidade é valorizada e a conexão com a natureza é intensa.

— Deve ser um contraste enorme com a vida a bordo do Titanic. — observou Fillemon.

— Sim, é verdade. — concordou Isabella. — Mas há algo de muito especial em estar em contato com a terra e com as pessoas que vivem de maneira mais simples. Aqui, o luxo é fascinante, mas às vezes sinto falta da autenticidade do campo.

Enquanto conversavam, um grupo de passageiros de segunda classe passou pela área da piscina, conversando animadamente. Entre eles estava um homem corpulento e de aparência imponente, que Fillemon reconheceu como um dos alvos potenciais para seu plano. Ele estava discutindo algo em voz alta com um amigo.

— ... e eu ouvi que os passageiros de primeira classe nem sempre são o que parecem ser. — dizia o homem, com um tom de desdém.

Fillemon, intrigado, escutou mais atentamente. — E o que você quer dizer com isso?

O homem virou-se para Fillemon, parecendo notar sua presença. — Ah, você deve ser um dos funcionários. Só estava comentando sobre como esses ricos muitas vezes têm suas próprias agendas escondidas.

Isabella, percebendo a tensão, tentou desviar o assunto. — Fillemon, você já teve a chance de explorar o navio mais a fundo? Parece que há muitas áreas interessantes para descobrir.

Fillemon, com um olhar mais focado e um tom ligeiramente tenso, respondeu. — Sim, estou começando a ver mais do Titanic. Mas, honestamente, ainda há muito a aprender sobre as pessoas a bordo.

O homem corpulento pareceu irritar-se com a resposta de Fillemon. — Então, você também está interessado em desvendar os segredos desses passageiros ricos? — perguntou ele, com um tom sarcástico.

Antes que Fillemon pudesse responder, Henry interveio. — Vamos deixar essa conversa para depois, pessoal. A noite está se aproximando e ainda temos muito para aproveitar.

Isabella, percebendo o desconforto, virou-se para Fillemon com um olhar preocupado. — Você está bem?

Fillemon forçou um sorriso. — Sim, estou. Só estava curioso sobre alguns comentários que ouvi.

À medida que a tarde avançava, Fillemon sentiu um peso crescente em seus ombros. As conversas e os encontros com os passageiros estavam começando a se misturar com seus próprios dilemas internos. Ele sabia que precisava agir rapidamente para concretizar seus planos, mas ao mesmo tempo, a presença dos passageiros de segunda classe e suas observações começavam a criar um conflito interno crescente.

Quando a noite caiu, Fillemon se despediu de Isabella e Henry e retornou ao seu posto de trabalho, seu espírito pesado com as tensões não resolvidas e a crescente sensação de conflito entre suas intenções e o que estava descobrindo sobre as pessoas ao seu redor.