A viagem para a Suécia era longa, e Pelé, ainda com 17 anos, foi como reserva. Estava se recuperando de uma lesão no joelho e muitos duvidavam que ele conseguiria jogar. Mas, mesmo fora de campo nos primeiros jogos, seu sorriso não desaparecia. Ele treinava, ajudava os companheiros e esperava a sua chance. E ela viria.
Na fase final da competição, o técnico Vicente Feola decidiu colocá-lo em campo. Era um momento decisivo. O Brasil precisava vencer e mostrar sua força. Ao lado de Garrincha, outro gênio da bola, Pelé entrou em campo contra a União Soviética, em uma partida histórica. Foi a primeira vez que os dois jogaram juntos em uma Copa — e o resultado foi mágico. O Brasil venceu, e a seleção passou a ser tratada como uma das favoritas ao título.
Mas foi nas partidas seguintes que o mundo se encantou. Contra o País de Gales, nas quartas de final, Pelé marcou o único gol da vitória. Foi seu primeiro gol em Copas, e ele chorou ao final do jogo, emocionado. Na semifinal contra a França, ele foi ainda mais brilhante: marcou três gols. E então veio a grande final.
O dia 29 de junho de 1958 ficou marcado na história. O Brasil enfrentaria a Suécia, dona da casa. O estádio estava lotado, e o mundo inteiro assistia. A pressão era enorme, mas Pelé parecia leve. Como se estivesse jogando no quintal de casa.
Naquela final, o menino de Três Corações brilhou como nunca. Marcou dois gols na vitória por 5 a 2. Um deles, talvez o mais bonito de sua carreira, aconteceu quando ele deu um chapéu no zagueiro com um toque sutil e bateu de primeira, sem deixar a bola cair. Um lance que até hoje emociona quem vê.
Quando o juiz apitou o fim do jogo, Pelé caiu no chão e chorou, abraçado aos companheiros. O Brasil, enfim, era campeão do mundo — e o garoto de 17 anos havia se tornado um símbolo da alegria, da esperança e da genialidade do povo brasileiro.
Aquela Copa não foi só uma vitória esportiva. Foi um momento em que o país inteiro se sentiu orgulhoso. O nome Pelé passou a ser conhecido em todo o planeta. Ele virou capa de jornal, notícia em rádios e assunto em todos os cantos.
Ao voltar para o Brasil, Pelé foi recebido como herói. Mas ele sabia que aquele era apenas o começo. Ele ainda tinha muito o que mostrar, muitos gols para marcar e milhões de corações para encantar.
Na Suécia, nasceu um novo campeão. Mas, para o futebol, nasceu algo ainda maior: um artista, um ídolo, um menino que virou referência para o mundo inteiro.
