O ano de 2025 avançou sob o signo de uma montanha-russa emocional para os brasileiros. Enquanto a economia nacional era sacudida por ondas de choque vindas de Washington, uma explosão de euforia vinda de Hollywood provou que a resiliência de um povo não se mede apenas em índices inflacionários, mas também na força de sua narrativa cultural. O contraste foi brutal: o medo do isolamento comercial em um dia e o orgulho do reconhecimento global no outro.
O Golpe no Bolso: A Era do Protecionismo Americano
Em meados de 2025, o pragmatismo econômico deu lugar a uma disputa geopolítica agressiva. O governo de Donald Trump, em uma decisão que gerou instabilidade imediata no mercado interno brasileiro, impôs um "tarifaço" histórico. Produtos nacionais (do aço à carne, do café aos calçados) foram sobretaxados em até 50%. A justificativa da Casa Branca, embora revestida de retórica comercial, foi vista por analistas como uma retaliação direta à soberania jurídica brasileira após as condenações do início do ano.
As consequências foram sentidas de imediato: o dólar disparou, e empresas brasileiras que exportam para o mercado americano enfrentaram cancelamentos de pedidos em massa, resultando em um prejuízo acumulado de mais de US$ 1,5 bilhão apenas nos meses iniciais. O Brasil viu-se diante do desafio de diversificar seus parceiros comerciais às pressas, buscando estreitar laços com o bloco dos BRICS e a União Europeia, enquanto tentava negociar isenções que evitassem um colapso em setores estratégicos da indústria e do agronegócio.
O Oscar é Nosso: A Redenção de "Ainda Estou Aqui"
Contudo, se os números traziam incerteza, a arte trouxe a cura. Na noite de 2 de março de 2025, o Brasil parou para assistir a um feito que parecia esquecido pelo tempo. Após um jejum de 26 anos desde Central do Brasil, o filme "Ainda Estou Aqui", dirigido por Walter Salles, conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional. A estatueta dourada, entregue por Penélope Cruz, coroou a atuação magistral de Fernanda Torres no papel de Eunice Paiva e o esforço de uma produção que já havia sido ovacionada em festivais pelo mundo todo.
A vitória foi recebida em solo nacional com um entusiasmo comparável ao de uma final de Copa do Mundo. Mais do que um prêmio de cinema, o Oscar de 2025 foi um bálsamo político e social. Ao contar a história da luta de uma família contra o esquecimento e o autoritarismo, o filme tocou em feridas abertas e uniu o país em torno de um sentimento de dignidade. Nas redes sociais e nas salas de cinema, o grito de "viva o cinema brasileiro" serviu como um antídoto temporário contra a ansiedade econômica que dominava os noticiários.
Entre a Crise e o Aplauso
A dualidade deste período reafirmou uma característica intrínseca ao Brasil de 2025: a capacidade de brilhar intensamente mesmo sob pressão. Enquanto o governo brasileiro e o setor produtivo se desdobravam em reuniões bilaterais para tentar reverter o "tarifaço" e proteger o PIB, a população encontrava refúgio e esperança na consagração de sua própria história nas telas.
O "tarifaço" lembrou ao Brasil a sua vulnerabilidade em um mundo cada vez mais protecionista, mas a vitória no Oscar lembrou ao mundo que a voz brasileira é impossível de ser silenciada. Esses dois eventos, opostos em natureza, mas unidos pelo tempo, definiram o ritmo de um país que, entre o susto e o aplauso, continuava a afirmar o seu lugar no cenário internacional.
