O céu colorido pelos bandos de periquitos-da-carolina começou a escurecer com a chegada da colonização europeia. Até então, esses pássaros haviam vivido em harmonia com a natureza e, em grande parte, com as populações indígenas, que os admiravam por sua beleza e os associavam a mensagens da floresta. Mas, com a expansão dos colonos europeus, essa convivência começou a se desfazer rapidamente.
A transformação do território americano foi implacável. Florestas densas deram lugar a plantações de algodão, milho e tabaco. Árvores de ciprestes e carvalhos, vitais para os periquitos-da-carolina, foram cortadas em massa para dar espaço à agricultura e para fornecer madeira às crescentes cidades e indústrias. Com isso, os pássaros perderam suas fontes de alimento, locais de repouso e áreas de nidificação.
O avanço das plantações trouxe outro problema: os agricultores começaram a enxergar o periquito-da-carolina como uma praga. Com sua dieta baseada em frutas e sementes, os bandos frequentemente invadiam pomares e campos cultivados. Para os agricultores, o espetáculo de aves vibrantes se alimentando em suas terras não era fascinante, mas uma ameaça aos seus lucros. Assim, iniciou-se a caça sistemática dos periquitos. Armados com espingardas, os colonos abatiam dezenas de pássaros de uma só vez, muitas vezes dizimando bandos inteiros.
Além da caça, a captura de periquitos para o comércio de aves ornamentais tornou-se outro fator devastador. A beleza vibrante e o comportamento social da espécie os tornavam desejáveis como animais de estimação. No entanto, em cativeiro, essas aves raramente sobreviviam por muito tempo, devido à falta de condições adequadas e ao estresse do confinamento. Mesmo assim, o comércio persistiu, contribuindo para a rápida redução da população.
O impacto das mudanças no ambiente também foi imenso. A fragmentação dos habitats forçou os periquitos a se deslocarem para áreas menos adequadas, onde estavam mais expostos a predadores e onde havia menos recursos para sustentar seus bandos. Como aves que dependiam de grandes grupos para se proteger e se alimentar, a fragmentação acelerou ainda mais seu declínio.
Pouco a pouco, os céus ficaram mais silenciosos e menos coloridos. A espécie, antes abundante e barulhenta, começou a desaparecer das paisagens que por tanto tempo haviam sido seu lar. O que antes era um símbolo de vida vibrante no sudeste americano começou a se tornar uma lembrança distante de um passado em harmonia com a natureza.
O início do declínio do periquito-da-carolina foi, em grande parte, um reflexo da incapacidade humana de reconhecer o valor da biodiversidade. A busca pelo progresso imediato ignorou os custos irreparáveis para as espécies que, por séculos, haviam prosperado.
