O quarto dia a bordo do Titanic trouxe um clima de expectativa. O céu estava nublado, e uma leve brisa sacudia as velas do navio, criando uma sensação de antecipação entre os passageiros. As atividades a bordo continuavam como sempre, mas um senso de tensão parecia pairar no ar.
À noite, o elegante salão de jantar estava preparado para um evento especial. A mesa estava impecavelmente posta, com flores frescas e talheres reluzentes. Fillemon, em seu uniforme, servia aperitivos e bebidas, observando a movimentação com atenção. Ele sabia que a presença de Isabella Fontenele e de Henry era quase certa, e estava determinado a aproveitar a oportunidade.
Isabella estava sentada com um grupo de passageiros da primeira classe, incluindo Henry, que conversava animadamente sobre suas últimas experiências e aventuras. O homem corpulento que Fillemon havia notado anteriormente também estava presente, seu tom sarcástico contrastando com a elegância ao redor.
— Parece que os ricos têm muitas histórias interessantes. — disse o homem corpulento, com um tom mordaz, enquanto Fillemon passava com uma bandeja de vinho.
Henry, tentando manter o clima leve, respondeu. — Bem, cada um tem suas próprias histórias. E algumas delas são mais fascinantes do que outras.
Isabella lançou um olhar preocupado para Fillemon, que estava tentando manter o profissionalismo. Ela sabia que ele estava lidando com situações difíceis e tentava se concentrar na conversa ao seu redor para desviar a atenção do clima tenso.
No entanto, a situação tomou um rumo inesperado quando o homem corpulento, claramente irritado, levantou-se abruptamente.
— Não aguento mais essas conversas superficiais. — disse ele, em voz alta, fazendo com que alguns olhares se voltassem para ele. — Parece que estamos todos aqui apenas para satisfazer egos inflacionados.
O tom do homem fez com que a atmosfera se tornasse ainda mais pesada. Os passageiros ao redor começaram a sussurrar, e a tensão no ambiente era palpável.
Isabella, visivelmente desconfortável, tentou manter a compostura, mas seu olhar mostrou sua inquietação. Fillemon, percebendo o aumento da tensão e preocupado com o estado emocional de Isabella, decidiu intervir.
— Senhorita Fontenele, posso acompanhá-la até a varanda para um pouco de ar fresco? — ofereceu Fillemon, com um tom suave e preocupante.
Isabella, aliviada pela oferta, levantou-se rapidamente. — Sim, isso seria ótimo. Vamos.
Enquanto se dirigiam para a varanda, Isabella olhou para Fillemon com um misto de gratidão e alívio. — Obrigada por me tirar daquela situação. Eu não sabia o que fazer.
— Não há problema. — respondeu Fillemon, tentando manter a calma. — Às vezes, é necessário encontrar um espaço tranquilo para respirar.
Na varanda, o ar fresco da noite parecia aliviar a tensão. Fillemon e Isabella ficaram em silêncio por alguns momentos, apreciando a vista das águas escuras e o som suave das ondas batendo contra o casco do navio.
Isabella finalmente quebrou o silêncio. — Eu realmente aprecio o que você fez por mim. Não foi fácil lidar com aquela situação.
— Eu só queria garantir que você estivesse bem. — disse Fillemon, olhando para ela com um olhar mais intenso do que o habitual.
Isabella encontrou o olhar de Fillemon, seus olhos refletindo uma mistura de emoções. O ambiente tranquilo e a proximidade criaram uma conexão palpável entre eles. Sem uma palavra, Fillemon se aproximou, e Isabella, em um gesto de reciprocidade, não recuou.
Quando seus lábios se encontraram, o beijo foi suave e cheio de sentimentos não expressos. O contato foi breve, mas profundo, e quando se afastaram, ambos estavam visivelmente emocionados.
Fillemon, com uma expressão de sinceridade, falou. — Isabella, eu...
Isabella tocou levemente o braço dele. — Não precisamos dizer nada agora. Vamos apenas aproveitar este momento.
A tensão da noite parecia ter sido dissolvida por aquele beijo inesperado.
