O hotel Patrones Executive estava deserto, fechado para uma suposta reforma técnica. O saguão, imerso em uma penumbra dourada, exalava o cheiro de cera cara e isolamento. Alberto conduziu Victor pelo braço até a cobertura, onde o som de música alta abafava o silêncio do corredor.
— Por que estamos aqui a esta hora, senhor Alberto? — Victor perguntou, as mãos suando frio. — O senhor disse que precisava de ajuda com um evento privado, mas este andar... parece vazio.
— É um evento exclusivo, Victor. Um ajuste de contas com o destino — respondeu Alberto, abrindo as portas duplas da suíte presidencial.
Lá dentro, três jovens estavam parados, confusos, cercados por garrafas de champanhe intocadas. Eram os mesmos que haviam cercado Victor no beco. Eles haviam sido atraídos pela promessa de uma festa VIP com "investidores" interessados em seus serviços ilícitos. Ao verem Victor, o líder do grupo soltou uma risada debochada.
— Olha só, o empregadinho trouxe o chefe para apanhar também?
Alberto não sorriu. Ele fechou as portas atrás de si com um clique metálico definitivo. Em um movimento que os olhos de Victor mal conseguiram acompanhar, o patrão atravessou a sala. Não foi uma caminhada; foi um borrão de velocidade predatória. Alberto agarrou o líder pelo pescoço, levantando-o do chão com uma única mão. O som das vértebras rangendo sob a pressão de dedos que pareciam feitos de aço gritou pelo recinto.
— O que o senhor está fazendo? — gritou Victor, paralisado pelo terror.
Os outros dois avançaram, mas Alberto os descartou com a facilidade de quem espanta insetos. Um deles foi arremessado contra a parede com tal força que o gesso rachou; o outro caiu sob o peso de um golpe que não parecia humano. Em poucos minutos, a suíte de luxo tornou-se um abatedouro silencioso. Alberto movia-se com uma precisão cirúrgica, uma sombra letal que não oferecia chance de resistência.
Victor caiu de joelhos, o rosto pálido.
— O que o senhor fez? Eles... eles pararam de se mexer... — Victor recuou, tropeçando no carpete caro do hotel, cujas fibras começavam a absorver um tom de vermelho muito mais profundo que o original.
Alberto soltou o último corpo e virou-se lentamente. Seu rosto não estava suado, sua respiração estava calma, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade lupina. Ele levou um lenço de seda branca ao rosto, limpando uma gota de sangue do canto da boca com uma elegância que tornava a cena ainda mais pavorosa.
— Eu dei a eles o que o tempo daria em oitenta anos, apenas acelerei o processo — respondeu Alberto, guardando o lenço manchado no bolso do terno impecável. — O destino deles era o pó, Victor. Eu apenas os ajudei a chegar lá sem que causassem mais danos à sua vida.
— Isso é loucura... o senhor os matou! — o jovem soluçou, cobrindo os olhos.
Alberto caminhou até ele e pousou a mão fria sobre o ombro trêmulo do rapaz.
— Agora eles não podem mais tocar em você ou na sua avó. Eu limpei o seu caminho, Victor. Fiz o que você não teve coragem de fazer, porque eu sou o único que realmente se importou com a sua segurança nestas décadas de solidão. A gratidão deveria ser mais forte que o seu medo.
Alberto olhou para a cidade através da parede de vidro, as luzes distantes parecendo pequenas demais diante da escuridão que ele carregava dentro de si.
— Olhe para eles, Victor. Eles não sofrem mais com a pobreza, com a ganância ou com o ódio. Eles estão em paz. E agora, você também está. O preço da sua liberdade foi apenas a inocência que você já estava perdendo.
