A sensação de pânico que pairava na casa velha parecia quase tangível. Ana e Luana, com o coração acelerado, avançavam pelo labirinto de corredores e cômodos em busca de Pedro, que estava agora desaparecido. Cada sombra parecia ganhar vida própria, e os sons da casa – o rangido das vigas, o sussurro do vento – tornavam a atmosfera ainda mais opressiva.
Será que era alguém? Será que era alguma coisa? Decididas a encontrar respostas, Ana e Luana retornaram ao porão. A antiga caixa de ferramentas que Ana havia encontrado anteriormente ainda estava aberta, e dentro dela havia uma série de objetos curiosos e antigos, incluindo uma pequena caixa de madeira com um antigo logotipo.
Luana, que havia se debruçado sobre documentos antigos, descobriu uma referência a um certo Luciano nos registros da casa.
—Veja isso, Ana! —disse Luana, apontando para um trecho em um dos documentos— ...Aqui está escrito que o Luciano era um trabalhador rural que viveu aqui no século XIX. Mas há algo mais... uma história sobre um linchamento.
Ana se aproximou, seu olhar fixo na página.
—Parece que o Luciano foi acusado de um crime que não cometeu. Ele foi morto pela comunidade em um ato de injustiça. Isso deve ter algum relacionamento com as coisas que estão acontecendo aqui.
Luana continuou a ler em voz baixa, revelando que Luciano, antes de morrer, teria lançado uma maldição sobre a mansão, prometendo vingança contra aqueles que causaram seu sofrimento e que não deixariam a casa até que a justiça fosse feita.
—Isso parece corresponder à lenda que ouvimos —disse Luana— mas como isso se relaciona com o que está acontecendo agora?
Ana sentiu um arrepio na espinha ao ouvir as palavras de Luana.
—Então, se a lenda está certa, o Luciano deve ser o responsável por esses desaparecimentos. Talvez ele esteja tentando se vingar dos intrusos da casa, como nós.
Elas estavam começando a entender que a presença aterrorizante na casa era uma manifestação do espírito do Luciano. A maldição, de acordo com os documentos, só poderia ser quebrada revelando a verdade e corrigindo a injustiça do passado.
—Precisamos descobrir mais sobre Joaquim e o que realmente aconteceu com ele —disse Ana— Se conseguirmos revelar a verdade, talvez possamos acabar com essa maldição.
O grupo decidiu se separar novamente, com Ana e Luana indo para a biblioteca para buscar mais informações, enquanto Marcos, que haviam encontrado sozinho, estava agora na sua busca pelo amigo desaparecido. A sensação de urgência era palpável, e cada momento que passava parecia trazer um novo nível de terror.
Na biblioteca, Ana e Luana vasculharam prateleiras de livros antigos e documentos. Entre os livros, encontraram um diário desgastado que parecia ter pertencido a um membro da família original da casa. As páginas estavam repletas de anotações sobre eventos trágicos e o crescente desconforto com Luciano.
Luana folheou o diário com cuidado, encontrando uma entrada particularmente detalhada sobre a noite do linchamento. O diário descrevia como Luciano havia sido acusado injustamente de um crime que não cometeu e como a comunidade, inflamando-se de raiva e medo, decidiu tomar a justiça em suas próprias mãos.
—Aparentemente, o Luciano era um homem de integridade e era muito respeitado antes dos eventos trágicos —comentou Luana.
Enquanto isso, Marcos explorava um antigo escritório no andar superior. O lugar estava coberto de pó e teias de aranha, e as sombras projetadas pela lanterna criava um ambiente sinistro. Marcos estava examinando uma série de documentos antigos, tentando encontrar algo que pudesse explicar os eventos atuais.
Observando as sombras nas paredes, ele teve uma sensação estranha, como se algo estivesse se movendo atrás dele. Marcos tentou manter a calma, mas sua expressão mostrava nervosismo.
—Talvez seja apenas o vento. No entanto, vou dar uma olhada nos documentos aqui. Quem sabe encontro algo útil. —comentou, falando sozinho.
Marcos foi interrompido por alguém.
No porão, Ana e Luana encontraram uma caixa com uma série de itens pessoais de Luciano, incluindo uma antiga foto e uma máscara de madeira grotesca. A foto mostrava Luciano em um momento de felicidade, ao lado de sua família. A máscara, com seu design perturbador, parecia ter um propósito ritualístico. Luana pegou a máscara e, ao examiná-la de perto, sentiu uma aura de energia perturbadora.
—Isso deve estar relacionado com a maldição. Talvez o Luciano usasse isso em algum tipo de ritual —sugeriu Luana, sua voz carregada de inquietação.
Com as novas descobertas, Ana e Luana voltaram à biblioteca para analisar os documentos e tentar encontrar uma solução. A sensação de que algo estava errado continuava a crescer, e o medo de que a presença de Luciano pudesse atacar a qualquer momento estava sempre presente.
Pedro apareceu misteriosamente no escritório onde estava Marcos e explicou que não sabia o que aconteceu, mas que estava bem. Juntos, encontraram uma passagem secreta atrás de uma estante de livros, que levava a um pequeno quarto escondido. O ambiente estava cheio de velas apagadas e símbolos estranhos desenhados no chão. Era evidente que esse lugar havia sido usado para algum tipo de ritual ou cerimônia.
—O que você acha que é isso? —perguntou Pedro, observando os símbolos no chão— Parece que alguém estava tentando fazer algo com essas velas e símbolos.
Marcos estava observando as velas apagadas e os símbolos.
—Pode ser um ritual para apaziguar um espírito ou algo assim. Precisamos mostrar isso a Ana e Luana. Talvez eles possam descobrir mais sobre o que isso significa. Mostrar você também, é claro. Elas devem estar preocupadas!
Com as informações que tinham, Ana e Luana estavam começando a montar o quebra-cabeça. A história de Luciano, os objetos encontrados e a atmosfera pesada da casa começavam a se encaixar em uma narrativa mais sombria. A maldição parecia ter raízes profundas e complexas, e a verdade sobre o que aconteceu com Luciano estava mais clara a cada descoberta.
Ana e Luana sabiam que precisavam agir rapidamente para revelar a verdade e tentar quebrar a maldição. A Casa Velha estava se tornando cada vez mais um labirinto de medo e mistério, e o tempo estava se esgotando. Com um sentido de urgência crescente, o grupo continuava a busca por respostas, sabendo que o perigo estava cada vez mais próximo.
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