O canto dos periquitos-da-carolina, outrora uma trilha sonora constante das florestas e campos do sudeste dos Estados Unidos, foi silenciando aos poucos, até desaparecer completamente. O declínio que começou com a colonização europeia alcançou um ponto sem retorno no final do século XIX. Já nos anos 1800, os avistamentos dessa ave vibrante haviam se tornado raros, e os relatos começaram a soar como lamentos de uma perda iminente.
Os últimos bandos selvagens foram observados em áreas isoladas da Flórida e da Louisiana. Com seus habitats destruídos e seus números drasticamente reduzidos pela caça e captura, os poucos sobreviventes lutavam para encontrar alimento e refúgio. Mesmo nesses locais remotos, os periquitos não estavam a salvo, pois continuavam a ser alvos de caçadores e colecionadores.
Em 1904, foi avistado o último grupo de periquitos-da-carolina em estado selvagem no Condado de Okeechobee, na Flórida. Após esse ano, os relatos de bandos desapareceram, deixando apenas fragmentos de histórias e memórias daqueles que tiveram a sorte de presenciar o voo dessas aves. A espécie, que antes dominava vastos territórios, tornou-se um fantasma da paisagem.
No entanto, a morte em estado selvagem não marcou o fim imediato da espécie. Alguns periquitos foram mantidos em cativeiro, onde cientistas e zoológicos tentaram prolongar sua existência. O mais famoso desses indivíduos foi Incas, o último exemplar conhecido da espécie. Incas viveu no zoológico de Cincinnati, onde dividiu seu recinto com Lady Jane, outra periquita-da-carolina.
A morte de Lady Jane, em 1917, deixou Incas sozinho, simbolizando a extinção de uma espécie que um dia prosperou em bandos barulhentos e numerosos. Apesar dos esforços para mantê-lo saudável, Incas faleceu em 21 de fevereiro de 1918. Ele morreu no mesmo recinto que abrigou Martha, a última pomba-passageira, marcando o zoológico de Cincinnati como o local de duas extinções históricas.
O desaparecimento do periquito-da-carolina foi mais do que a perda de uma espécie; foi um alerta sobre os perigos da exploração desenfreada e da negligência ambiental. A ave, que uma vez trouxe vida às florestas e campos, agora vive apenas em registros científicos, pinturas e memórias transmitidas por gerações.
O fim do periquito-da-carolina foi o fim de uma era, uma página sombria na história da biodiversidade da América do Norte. Sua extinção nos lembra que até mesmo as espécies mais vibrantes e abundantes não estão imunes às ações humanas. A morte de Incas não foi apenas o fim de uma vida, mas um marco que reforça a necessidade de proteger as espécies que ainda compartilham o planeta conosco.
