O despertar para o segundo dia de trabalho foi um confronto direto com a realidade. Meus músculos, que ainda nem haviam processado o esforço da estreia, gritavam a cada movimento simples de me levantar da cama. Mesmo assim, eu estava lá às 7h30. Eu e o Mateus voltamos para o pátio, encarando novamente a pilha de madeira sob o sol que não dava trégua. Embora a tarefa fosse a mesma, o meu corpo já não respondia com a mesma agilidade; a exaustão era profunda e uma dor aguda na coluna começou a se instalar, transformando cada tábua em um fardo quase insuportável.

Após o almoço, a dinâmica mudou e fui escalado para uma tarefa que testaria meus últimos resquícios de força. Mandaram-me para uma ribanceira onde o objetivo era carregar cascas de árvores. Se as tábuas eram pesadas, aquelas cascas brutas eram de um extremo que eu não estava preparado para suportar. Senti uma pontada lancinante nas costas, um sinal claro de que algo não estava bem, e tive que aceitar a frustração de não conseguir terminar aquele serviço específico. O limite do meu corpo tinha sido atingido, mas o dia ainda não havia acabado.

Fui então deslocado para dentro do galpão, para operar uma máquina. Ali, o desafio deixou de ser apenas físico e passou a ser emocional. Diferente da parceria respeitosa com o Mateus, encontrei pessoas nada dispostas a ensinar. Eu sentia uma rejeição silenciosa, uma barreira invisível que impedia qualquer transmissão de conhecimento. Eu tinha o desejo genuíno de aprender, de entender o processo e me tornar útil, mas o que recebi em troca foram olhares desconfiados e respostas curtas.

Era como se houvesse um medo velado de que eu, um novato, pudesse de alguma forma ameaçar o espaço que eles ocupavam há anos. Essa hostilidade me trouxe uma espécie de frustração amarga; eu estava ali dando o meu sangue, literalmente, e enfrentava uma resistência desnecessária de quem deveria ser um colega de equipe. A magia da colaboração que senti no primeiro dia evaporou sob o teto de zinco, dando lugar a um sentimento de isolamento no meio do barulho das máquinas.

Mesmo com o espírito abatido e as costas latejando, eu aguardei o silêncio das 17h30. Saí da serraria com o passo pesado, mas com o pensamento focado no descanso. Eu planejava me recuperar, passar algum unguento nas dores e me preparar para o terceiro dia, acreditando que a resiliência venceria a fadiga. Eu não queria desistir; eu queria provar para mim mesmo que era capaz de dominar aquela rotina, apesar de todos os obstáculos impostos pelo ambiente e pelas pessoas.

No entanto, o destino tinha outros planos. Ao acordar na manhã seguinte, tentei me espreguiçar para levantar, mas o comando não chegou ao destino. Eu não sentia movimento nenhum das pernas. Tentei impulsionar o corpo e o pânico se instalou: eu estava paralisado da cintura para baixo. Aquele susto foi a experiência mais aterradora da minha vida, um silêncio absoluto dos meus membros que me fez perceber, da forma mais dura possível, que eu havia cruzado uma linha perigosa entre o esforço e a lesão.