A Copa do Mundo de 1970, no México, foi especial desde o começo. Era a primeira vez que o torneio seria transmitido ao vivo para o mundo inteiro, em cores. E o Brasil chegou com um time de estrelas, determinado a mostrar que o futebol podia ser mais do que competição: podia ser espetáculo.
Pelé, agora com 29 anos, já era o jogador mais experiente do grupo. Muitos duvidavam que ele ainda teria o mesmo brilho dos anos anteriores. Mas ele foi para a Copa com uma motivação nova. Sabia que seria sua última chance de jogar um Mundial e queria sair em grande estilo.
Desde o primeiro jogo, contra a Tchecoslováquia, o Brasil mostrou ao que veio. O time era leve, rápido, criativo. Tinha Jairzinho, Tostão, Rivelino, Carlos Alberto Torres e Pelé, todos jogando com harmonia e alegria. No primeiro jogo, Pelé marcou um golaço de cabeça. E quase fez um dos gols mais lendários da história ao tentar surpreender o goleiro do meio de campo.
Contra a Inglaterra, protagonizou um dos lances mais bonitos da Copa: deu um cabeceio forte, que parecia ser gol certo, mas o goleiro inglês Banks fez uma defesa espetacular. Até hoje, o lance é lembrado como “a defesa do século”. Mesmo assim, o Brasil venceu por 1 a 0 e seguiu firme rumo ao título.
Cada partida era uma aula de futebol. Pelé encantava com passes, lançamentos, dribles e gols. Na semifinal contra o Uruguai, deu um passe de calcanhar para Clodoaldo começar uma jogada que terminou em gol de Jairzinho. Era um time que jogava com liberdade e criatividade, e Pelé era o maestro dessa orquestra.
A final foi contra a Itália, em 21 de junho de 1970. O estádio Azteca, na Cidade do México, estava lotado. O Brasil venceu por 4 a 1, e Pelé marcou o primeiro gol com uma cabeçada firme, subindo mais alto que os zagueiros. Depois, deu um passe perfeito para Carlos Alberto marcar o quarto gol, considerado um dos mais bonitos da história das Copas — uma jogada coletiva que terminou com um chute certeiro de fora da área.
Quando o juiz apitou o fim do jogo, Pelé caiu no gramado, mais uma vez em lágrimas. Mas agora, eram lágrimas de consagração. Ele se tornava o único jogador da história a conquistar três Copas do Mundo: 1958, 1962 e 1970.
O mundo inteiro aplaudiu de pé. Repórteres, fotógrafos e fãs se amontoavam para vê-lo de perto. Pelé havia feito mais do que ganhar um campeonato — ele havia encantado o planeta inteiro com sua maneira de jogar.
Ali, no gramado do Estádio Azteca, não estava só um jogador consagrado. Estava um símbolo da arte, da resistência, da beleza do futebol. O menino que chutava bolas de meia em Bauru agora era chamado de “Rei”, não por título, mas por merecimento.
A Copa de 1970 não foi apenas o fim de uma era. Foi o auge de um jogador que inspirou gerações, que mostrou que o futebol pode emocionar como um filme, como uma música ou como uma poesia.
