Será que devemos explicação para alguém? Esconder segredos é justificável? Quando é que passamos do ponto onde omitir algo te torna uma pessoa falsa? Será que devemos um bilhão de desculpas ou simplesmente chutarmos tudo para o alto? Tudo tem um preço, mas são poucas as pessoas dispostas a pagar.
A história mal contada
Pedro estava confuso, as coisas que ele sabia não tinha sincronia com o que acontecia em Entre Rios do Oeste. Primeiro a guia da cidade fingia ser parente da sua família, Raiane então explicou que apenas entrou na onda e ele até tinha compreendido, mas agora questionava se aquilo realmente era verdade. Na semana passada ele estava com ela e de repente chega uma senhora chamada Carolina, e a recepção foi estranha demais. Se sentindo perdido naquela história, resolveu ir embora e esperar que ela o procurasse.
7 dias atrás...
Raiane continuava muda, observando cada atitude de Carolina, e ela se ajeitava no sofá. Sorridente, estava animada e admirando a casa, em cada canto procurando uma lembrança de 1972, algum vestígio de que as coisas continuavam daquele jeitinho de antes. A verdade é que nada estava igual, Entre Rios é uma cidade moderna, mas Eugênia muito mais. Ainda que morresse de saudades da filha, não iria se congelar no tempo, guardar lembranças, móveis, apenas na espera de que algum dia ela voltasse.
— Filha!
Eugênia entrou pela porta com rapidez e deixou as sacolas no chão, correndo em direção de Carolina que acabou gritando pela mãe. Eram duas senhoras se abraçando e mesmo com seus 50 e poucos anos, era como se ela fosse aquela menininha outra vez.
— Você veio mesmo! —seus olhos estavam lacrimejando, e o de Carolina também— Estou tão feliz! Eu vi o carro ali fora e já soube que era você!
— Como sabia? —Raiane estava alegre e surpresa— Vocês se falaram antes?
— Claro que sim, não queria matar minha mãe de susto —respondeu Carolina.
— O que você fez da vida? Você tá bonita, você está grande! —Eugênia apalpava a filha enquanto a elogiava— Você ficou linda demais! E os seus filhos, vieram?
— Apenas o Leonard mãe! Meu cachorrinho...
Eugênia deu risada.
— Mas o outro é de verdade, não é? — Carolina afirmou com a cabeça que sim.
— E eu fiquei sabendo que vocês me procuraram incontáveis vezes. Mas seria impossível me encontrar, porque eu mudei de nome, eu me chamo Estela para as outras pessoas nos últimos quarenta anos... Mas deixa eu ser clara que ainda sou a Carolina.
Hoje
A volta de Carolina deixou Raiane muito animada. Nunca escondeu que adorava saber sobre a tia mas depois de quarenta anos, tudo o que Carolina precisava era curtir sua mãe. Raiane entendeu que precisava dar esse tempo para a avó e a tia, mas sua animação era apagada com a insegurança em seu relacionamento com Pedro, ela nem mesmo sabia se deveria chamar o que tiveram de relacionamento.
Após aquele encontro estranho, que agora já estava completando uma semana, Pedro não havia procurado por ela. E ela sem ter a mínima noção do que fazer, procurou desabafar com sua amiga. Mariana era ótima para escutar e para dar uma outra visão diferente dos fatos também, era ela quem aflorava a reflexão nela.
— Quando minha tia chegou foi como se ele soubesse que algo estranho estava acontecendo. E então ele disse que precisava ir embora, a gente se beijou normalmente, mas ele não disse nada... Sabe quando fica uma interrogação em nossa cabeça? Eu não sabia como reagir.
— Amiga... —Mariana pensou um pouco— Você já pensou na possibilidade de que ele esteja esperando você procurar ele? Se vocês tiveram uma ligação tão forte, pode ser que apenas esteja respeitando o seu espaço, e não vai sair nada de duas pessoas, uma esperando pela outra.
— É complicado. A minha tia é a principal suspeita de ter matado uma pessoa da família dele.
— Mas você acredita que ela matou alguém?
— Lógico que não. Mas como eu disse, fica uma interrogação, eu me sinto presa. Com a minha tia por perto, na minha cabeça ela contaria tudo pra mim, mas até agora ela está vivendo como se eu fosse apenas alguém distante. Fiquei frustrada.
— Olha, a melhor coisa em nossa vida é o diálogo, e você sabe disso. Então eu acho que você precisa expor essa situação; com a sua família e logo em seguida com o Pedro. Tem tanto problema que a gente poderia resolver com uma conversa, mas as pessoas complicam tudo.
Conversar com a Mariana era perfeito, ela vêm de uma história de superação e tão sábia com as palavras. Dizem que ter um amigo é como ter um terapeuta, e era a Raiane quem vivia dizendo isso desde o ensino médio na escola.
Pedro
O telefone de Pedro tocou, a ligação era de Foz do Iguaçu.
— Onde eu estou? "Com arrojo buscando o sucesso, que o porvir por certo mostrará, construímos com fé teu progresso, e a grandeza deste Paraná"...
...Isso mesmo, em Entre Rios do Oeste. E tem algo estranho acontecendo na cidade...
Continua
Nos anos de 2005 a 2008 o município passou a investir em grande escala no setor produtivo rural para aumentar a arrecadação do ICMS e melhorar a qualidade de vida. Com isso Entre Rios do Oeste possui hoje um dos mais altos índices de criação de suínos per capita do Brasil, além de ostentar uma considerável produção avícola.
Uma necessidade sentida há muito tempo foi também a desvinculação do Colégio Estadual do prédio da Escola Municipal. Foi quando a partir do ano de 2009 o Colégio Estadual Professor Ildo José Fritzen passou a funcionar em prédio próprio. Mais tarde,em 2010, o mesmo passou a de denominar Colégio Estadual Ildo José Fritzen, homenagem ao professor e diretor com esse nome, morto em acidente de moto.
A partir do ano de 2009 o destaque ficou por conta dos estudos avançados em relação ao Projeto do Biogás que, uma vez implantado, trará ao município um desenvolvimento muito mais acelerado no futuro.
