A noite avançava rapidamente e a atmosfera na Casa Velha estava carregada de uma tensão impossível de não perceber. Ana e Luana, agora com um entendimento mais profundo sobre a lenda de Luciano e a maldição que envolvia a casa, estavam decididas a encontrar uma solução antes que fosse tarde demais. Pedro e Marcos, por sua vez, estavam investigando o quarto oculto, onde encontraram evidências de um ritual.
Ana e Luana se reuniram na biblioteca, onde haviam espalhado todos os documentos e objetos que encontraram. A máscara de madeira grotesca estava centralizada na mesa, acompanhada pelo diário antigo e pela foto de Joaquim com sua família.
—Precisamos entender como esse ritual foi realizado —disse Ana, sua voz firme— Talvez possamos encontrar uma maneira de reverter o que foi feito.
Luana concordou, examinando as anotações do diário.
—O diário menciona uma cerimônia realizada para invocar a vingança. É possível que essa máscara e os símbolos que encontramos estejam relacionados a essa cerimônia.
No andar de cima, Pedro e Marcos continuavam a explorar o quarto secreto. Os símbolos desenhados no chão pareciam ter uma estrutura complexa, e as velas apagadas estavam organizadas de maneira ritualística ao redor dos desenhos.
—Isso é mais do que apenas uma decoração —comentou Marcos— Parece que alguém realmente tentou realizar um ritual aqui.
Pedro observou os símbolos com mais atenção e encontrou uma referência a um antigo livro de rituais na biblioteca.
—Vamos buscar esse livro! Talvez nos ajude a entender o propósito desses símbolos... —sugeriu Pedro.
Ambos desceram rapidamente para a biblioteca, onde Ana e Luana ainda estavam estudando os documentos. Ao chegarem à biblioteca, Pedro e Marcos mostraram o livro antigo que haviam encontrado no quarto secreto. Era um grimório, com páginas amareladas e cheias de anotações sobre rituais antigos e encantamentos.
—Isso deve ter informações sobre os rituais mencionados no diário. —disse Pedro, abrindo o livro cuidadosamente. Ana se aproximou para examinar o livro.
—Parece que esse grimório contém instruções para realizar rituais de invocação e apaziguamento. Se conseguirmos encontrar o ritual específico que foi realizado aqui, talvez possamos reverter o que foi feito.
Luana, folheando o livro, encontrou uma página marcada com um marcador antigo. Era um ritual destinado a apaziguar um espírito vingativo.
—Aqui está! —disse ela, apontando para a página— Parece que o ritual envolve a exposição da verdade e a restauração da justiça. Precisamos encontrar os itens mencionados e realizar o ritual na mesma sala onde ele foi originalmente realizado.
Com as instruções em mãos, o grupo decidiu que a melhor abordagem seria realizar o ritual no quarto secreto, onde haviam encontrado os símbolos e as velas. O ambiente era o mais próximo possível do local original do ritual, e eles esperavam que isso fosse suficiente para fazer a diferença.
Enquanto se preparavam para o ritual, Ana encontrou um antigo candelabro na biblioteca, que parecia ser um dos itens necessários. Luana e Marcos buscaram mais itens nos arredores da casa, enquanto Pedro preparava o ambiente, reorganizando os símbolos no chão conforme indicado no grimório.
A tensão estava aumentando.
A chuva lá fora parecia mais forte do que nunca, e os trovões ecoavam pela casa, aumentando o sentimento de desespero.
—Estamos prontos? —perguntou Pedro, observando o grupo— Se fizermos isso errado, pode ter consequências piores.
—Estamos fazendo o melhor que podemos. —respondeu Ana— Vamos seguir as instruções do livro e ver o que acontece.
O grupo começou a montar o ritual, colocando as velas em seus devidos lugares e acendendo-as conforme indicado. Luana leu as palavras do encantamento em voz alta, enquanto Pedro e Marcos seguiam os passos descritos no grimório. O ambiente estava carregado de energia e, à medida que o ritual avançava, uma sensação estranha começou a preencher o ar. As velas começaram a brilhar com uma luz intensa, e os símbolos desenhados no chão começaram a brilhar de maneira etérea.
O vento na casa aumentou, e a atmosfera tornou-se ainda mais opressiva.
Ana sentiu um frio intenso, e a sensação de ser observada se intensificou.
—Sinto que algo está se aproximando... —disse ela.
De repente, um som ensurdecedor preencheu a sala. As velas começaram a piscar e uma sombra escura apareceu no canto do quarto. Era uma figura indistinta, mas claramente ameaçadora. O grupo se concentrou nas palavras do encantamento, tentando manter a calma.
O espírito de Luciano parecia estar se manifestando, sua presença tornando-se mais clara a cada momento. Ele parecia estar furioso, e a energia na sala estava quase elétrica. Luana continuou a recitar as palavras do ritual, tentando apaziguar o espírito e trazer justiça para Luciano. O som das palavras do encantamento misturou-se com os ecos do trovão e o barulho da chuva, criando uma cacofonia assustadora. A sombra se aproximou do grupo, mas, de repente, começou a se dissipar. A luz das velas ficou mais estável, e a sensação opressiva começou a diminuir. Finalmente, o espírito do Luciano parecia ter se acalmado.
A presença ameaçadora na sala começou a desaparecer, e o ambiente, embora ainda carregado, parecia mais tranquilo. O grupo estava exausto, mas aliviado.
—Acho que conseguimos —disse Pedro, olhando ao redor— Parece que o ritual funcionou.
Luana e Ana, ainda tremendo, concordaram.
—Esperamos que isso tenha encerrado a maldição e que Luciano finalmente tenha encontrado a paz. —disse Ana. Com o ritual concluído e a energia da casa começando a se estabilizar, o grupo decidiu que era hora de deixar a casa abandonada.
O terror da noite havia deixado uma marca profunda em todos eles, e a promessa de uma nova manhã era um alívio bem-vindo. A chuva estava começando a diminuir, e a luz do amanhecer se aproximava, trazendo uma nova esperança para os sobreviventes da noite aterrorizante.
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