Capítulo 5: Revelações e Desespero

 O quinto e último dia a bordo do Titanic começou com um céu nublado e uma sensação de apreensão no ar. A tripulação estava atarefada, e os passageiros, embora animados, pareciam perceber uma leve tensão ao seu redor. A noite prometia ser memorável, mas nenhum dos presentes imaginava o que estava por vir.

À noite, o elegante salão de jantar estava decorado com velas e flores, criando um ambiente encantador. Fillemon, ainda abalado pela conversa com o chefe de garçons e pela tensão crescente, encontrava-se em uma encruzilhada. Ele havia decidido que precisava revelar sua verdadeira intenção para Isabella, antes que fosse tarde demais.

Após o jantar, Fillemon encontrou Isabella na biblioteca, onde ela estava novamente mergulhada em um livro. Ele entrou com uma expressão grave, seus pensamentos tumultuados.

— Senhorita Fontenele, podemos conversar um momento? — pediu Fillemon, sua voz carregada de emoção.

Isabella levantou os olhos e percebeu a seriedade no rosto de Fillemon. — Claro, Fillemon. O que está acontecendo?

Eles se retiraram para uma área mais isolada da biblioteca. O ambiente estava silencioso, com apenas o suave som do navio em movimento ao fundo.

— Isabella, há algo que preciso lhe contar. — Começou Fillemon, com uma expressão de pesar. — A verdade é que eu não sou quem você pensa que sou. Eu me infiltrei no Titanic com a intenção de aplicar um golpe em alguém rico a bordo.

O rosto de Isabella ficou pálido, e seus olhos se arregalaram de choque. — O quê? Fillemon, por que você está me dizendo isso agora?

— Porque eu... eu mudei. — disse Fillemon, sua voz tremendo. — Desde que conheci você, minha perspectiva mudou. Eu percebi que meus planos estavam errados e que o que eu realmente quero é mudar minha vida, ser uma pessoa melhor.

Isabella, com lágrimas nos olhos, parecia dividida entre a dor e a compreensão. — Então, por que você não me contou isso antes? Não entendo como você pôde me enganar dessa maneira.

— Eu estava com medo. — Admitiu Fillemon, com um tom de desespero. — Medo das consequências, medo de perder tudo que comecei a valorizar.

Nesse momento, um burburinho crescente se fez ouvir na biblioteca. Fillemon e Isabella se viraram para ver um grupo de funcionários discutindo acaloradamente. Um dos funcionários, com uma expressão de raiva, se aproximou de Fillemon.

— Fillemon, precisamos falar. — disse o homem, com um tom de autoridade. — Descobrimos a verdade sobre você e suas intenções. Você está demitido.

O choque foi imediato. Isabella olhou para Fillemon com um olhar de tristeza e preocupação. — Isso não pode estar acontecendo.

— Eu não posso deixar assim. — disse Fillemon, desesperado. — Isabella, me ouça. Eu estava começando a mudar. Apenas me dê uma chance para mostrar que estou falando a verdade.

Enquanto a discussão esquentava, Fillemon tentou explicar sua mudança de coração, mas a situação estava fora de seu controle. A notícia se espalhou rapidamente, e a tensão estava se transformando em caos.

Foi então que um estrondo repentino ecoou pelo navio, fazendo com que todos se assustassem. O navio estremeceu, e um grito de pânico se espalhou pelos corredores. Era aproximadamente 23h40min. Fillemon e Isabella se olharam com uma mistura de confusão e terror.

— O que foi isso? — perguntou Isabella, com um olhar de terror.

— Não sei, mas precisamos verificar o que está acontecendo. — disse Fillemon, tentando manter a calma enquanto guiava Isabella pelos corredores.

O navio começou a inclinar-se, e o cenário se tornava cada vez mais desesperador. Poucos minutos após a colisão, o Capitão Smith e o engenheiro chefe, Thomas Andrews, desceram aos conveses inferiores para investigar os danos. O que encontraram foi alarmante: os depósitos de carga, a sala dos correios e a quadra de squash já estavam inundadas. A sala das caldeiras n.º 6 tinha mais de quatro metros de água, e a sala n.º 5 também estava começando a ser inundada.

O nível de água estava crescendo a uma taxa alarmante. Aproximadamente sete toneladas de água entravam no navio por segundo, quinze vezes mais do que as bombas de esgoto eram capazes de expelir. Em apenas 45 minutos, mais de treze mil toneladas de água já haviam entrado na embarcação. Andrews logo percebeu que o Titanic estava condenado.

Com uma expressão grave, Andrews e Smith retornaram à ponte. Andrews informou os oficiais sobre a gravidade da situação, aconselhou o lançamento imediato dos botes salva-vidas e estimou que o navio afundaria em pouco mais de uma hora. Quando Fillemon e Isabella chegaram ao deck, o caos era visível. O pânico tomou conta da tripulação e dos passageiros à medida que a verdade sobre a gravidade do desastre se espalhava.

Fillemon e Isabella, agora no meio do tumulto, foram separados pela pressão da multidão. Fillemon, tentando manter a calma, tentou seguir Isabella, mas o fluxo de pessoas e o caos crescente tornaram impossível alcançá-la.

— Isabella! — gritou Fillemon, estendendo a mão em direção a ela, mas foi impossível alcançá-la devido ao tumulto. Isabella foi puxada para longe por um grupo de passageiros tentando se abrigar nas baleeiras.

Isabella olhou para Fillemon com um olhar de desespero antes de ser puxada para um lado diferente. O pânico tomou conta enquanto as pessoas lutavam para encontrar um lugar seguro. O Titanic, um dos maiores e mais luxuosos navios de passageiros do mundo, estava em perigo real e iminente.

Fillemon, com o coração apertado e a mente cheia de confusão, percebeu que o tempo estava se esgotando. Ele precisava tomar decisões rápidas para salvar a si mesmo e, se possível, encontrar Isabella novamente. A situação estava se tornando cada vez mais desesperadora, e a luta pela sobrevivência estava apenas começando.