O amanhecer trouxe um alívio temporário à casa velha, e o grupo, exausto e aliviado, acreditava que o ritual tinha finalmente encerrado a maldição. A chuva diminuíra para uma garoa leve, e o som do vento que antes parecia ameaçador agora soava mais como um sussurro distante. Apesar da sensação de alívio, algo ainda pairava no ar, uma sensação inquietante de que o perigo não havia sido totalmente afastado.
Em vez de irem embora, Pedro, Ana, Luana e Marcos decidiram passar o dia limpando e explorando o restante da casa, na esperança de encontrar qualquer pista final sobre a maldição de Luciano. Enquanto eles trabalhavam, uma ideia começou a se formar na mente de Ana. Ela havia se lembrado de um detalhe importante dos documentos encontrados – uma referência a uma caverna nas proximidades da casa, mencionada como um local de encontro para reuniões secretas e rituais antigos.
—Gente! Há algo que não está certo. —disse Ana, enquanto os quatro estavam na cozinha, tentando recuperar o fôlego após uma noite difícil— Os documentos mencionam uma caverna. Se o Luciano usava a casa para algo mais, pode ser que a caverna ainda seja importante para entender completamente o que aconteceu.
Pedro e Marcos trocaram olhares e concordaram com a ideia.
—Se há uma caverna, talvez seja o lugar onde tudo começou ou onde a verdade final está escondida. —disse Marcos— Precisamos investigar isso. Mas, eu queria dormir...
Sem chances, o grupo se preparou para sair e procurar a caverna, sempre munidos de lanternas, com os mapas antigos da propriedade e alguns itens básicos de sobrevivência. A garoa havia parado, mas o solo ainda estava molhado e escorregadio.
Eles seguiram o caminho descrito nos documentos, que os levava para fora da casa e para uma área de floresta densa nos arredores. A caminhada pela floresta foi difícil e cansativa. O terreno era irregular, e a vegetação espessa dificultava a visão. Ana liderava o caminho, consultando o mapa e tentando manter o grupo orientado. A sensação de estar sendo observados ainda era presente, e a tensão era palpável entre os amigos.
Após uma longa e exaustiva caminhada, eles encontraram a entrada da caverna, camuflada e coberta por uma vegetação densa. A entrada parecia pequena e pouco convidativa, mas havia algo de sinistro e atrativo nela. Pedro puxou a vegetação para o lado, revelando uma abertura escura.
—Aqui estamos! —disse ele, com a voz ecoando de nervosismo.
Eles acenderam as lanternas e entraram na caverna. O ar estava frio e úmido, e a sensação de claustrofobia era intensa. O interior da caverna era um labirinto de passagens estreitas e salões amplos, com formações rochosas que pareciam criar uma paisagem alienígena. Enquanto exploravam, encontraram inscrições antigas nas paredes da caverna, semelhantes aos símbolos encontrados na sala secreta da casa assombrada. Luana se aproximou e começou a analisar as inscrições, comparando-as com os símbolos do grimório.
—Esses símbolos são parte do mesmo ritual que encontramos. Eles devem ter uma conexão direta com o que aconteceu com o Luciano. —Ana examinou uma área mais profunda da caverna e encontrou uma plataforma de pedra com uma antiga armadura e vários objetos ritualísticos— Isso parece ser um altar ou um local de cerimônia... —concluiu— ...pode ser onde os rituais foram realmente realizados.
O grupo continuou explorando, e Pedro encontrou uma câmara escondida atrás de uma pedra solta. Dentro da câmara, havia uma série de documentos e artefatos, incluindo uma caixa de madeira ornamentada.
—Isso parece importante! —disse Pedro, puxando a caixa para fora.
Ana e Luana examinaram a caixa, que estava coberta de símbolos semelhantes aos encontrados no grimório. Luana a abriu cuidadosamente, revelando uma coleção de pergaminhos antigos e uma carta amarelada.
A carta parecia ser um testamento feito por Luciano, detalhando seu sofrimento e o desejo de justiça.
—Isso é incrível! —disse Luana, lendo a carta em voz baixa— O Luciano escreveu sobre seu desejo de que a verdade fosse revelada e que a injustiça fosse corrigida. Ele sabia que a única maneira de descansar em paz era fazer com que os culpados se arrependessem e que a verdade fosse conhecida.
Pedro e Marcos estavam ocupados examinando os artefatos ritualísticos.
—Esses itens devem ter sido usados nos rituais para tentar apaziguar o Luciano ou invocar sua presença —disse Marcos— ...pode ser que essas ferramentas também sejam necessárias para finalizar o que começamos.
Com a descoberta dos pergaminhos e a carta escrita por Luciano, o grupo se sentiu mais confiante de que estava no caminho certo para resolver o mistério. Eles decidiram que deveriam levar os documentos e artefatos de volta à casa velha e analisar mais a fundo.
A volta para a casa foi menos angustiante do que a jornada inicial. A descoberta na caverna havia dado ao grupo um novo propósito e esperança. Assim que chegaram à casa, começaram a examinar os novos documentos com mais cuidado. Os pergaminhos encontrados detalhavam um ritual final que deveria ser realizado para restaurar a justiça e libertar o espírito do Luciano.
O ritual envolvia a utilização de vários itens ritualísticos, incluindo a armadura encontrada, e a leitura da carta do Luciano em um local específico da casa. Ana e Luana, com a ajuda de Pedro e Marcos, prepararam a cerimônia no salão principal. Eles posicionaram os itens como descrito nos pergaminhos e leram a carta com o máximo de respeito e cuidado.
Enquanto preparavam o ritual, uma sensação de paz começou a preencher o ambiente. O ar estava menos carregado, e a tensão parecia estar se dissipando. Era como se a casa estivesse finalmente permitindo que a verdade fosse revelada e a justiça fosse feita. O grupo estava determinado a concluir o que haviam começado.
A sensação de que algo estava finalmente sendo resolvido trouxe um alívio temporário e uma nova esperança. Com o ritual preparado e os itens posicionados, eles se prepararam para o passo final, aguardando o momento em que a verdade seria totalmente revelada e a paz restaurada.
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