Dangerous Love — Capítulo 3



Não faço ideia de como, mas a Vitória descobriu que eu estava indo na delegacia todos os dias falar com o Rafael. Eu não queria que o meu amigo se sentisse sozinho, qual é o problema?

— Matias, você está frequentando uma delegacia, não é uma lanchonete, não é uma festa, não é uma biblioteca...

— Ninguém se encontra na biblioteca...

—...Não importa! Seu nome como visitante de um presidiário fica lá, sua cara vai ser marcada por câmera de segurança! Eu não quero a minha família envolvida nessas coisas...

E a Vitória não parou.

— Senta aí no sofá. Eu e o seu pai lutamos todos os dias pra te dar uma boa vida, a gente quer você em um caminho certo, sendo honesto... Você não foi educado pra se misturar com bandido!

— Você nem sabe o que ele fez! Você sabe? — Perguntei.

— Drogas?! — Chutou.

Nesse momento eu fiquei nervoso.

— Você tá vendo que você ta julgando o Rafael sem provas? Eu entendo que você queira proteger o pai, a gente, mas pra isso você não pode achar que tem direito de falar o que quiser do Rafael. Ele cresceu comigo, não é você que sabe quem ele é! — Acabei chorando, e a Vitória pediu desculpas.

— Matias, me desculpa! por favor, meu anjo!

Quando olhei nos olhos dela, deu pra ver que ela também estava quase chorando.

— Primeiro a igreja que a gente tava foi falar mal de mim porque eu sou bissexual, como isso agredisse ou fizesse mal pra alguém, a mãe é preconceituosa e queria que eu ficasse com a Helena por medo de que eu fique com algum garoto...

— Ela não é assim... — Disse, tentando me acalmar.

— Ela é! E está tudo uma merda, o Rafael errou, mas ele vai sair de lá e ele é uma pessoa, não é o erro.

Brigar com a Vitória não foi legal, mas ver que ela me entendeu foi muito bom. No meio dessa briga acabei esquecendo do celular, mas o Gabriel estava lá e escutou toda a briga. Quando peguei o celular me senti culpado;

— Você está ai? —Perguntei baixinho— Gabriel?

— Eu não vou te abandonar, esqueceu? —Respondeu, com uma risada gostosa em seguida.