Capítulo 15


Gabriel estava no mercado central quando se esbarrou em Letícia e ela acabou quase caindo no chão, mas ele a segurou. Os dois ficaram em silêncio se olhando, Gabriel tentou beijar Letícia e ela deixou por alguns segundos, mas de repente começou a lhe bater e os dois se afastaram.

— Qual é o seu problema? — Perguntou ela brava.

— Nenhum, foi apenas um beijo. — Disse ele gesticulando com a mão.

— Você é insuportável! Você deveria me esquecer, sumir evaporar. Eu não quero saber de uma pessoa como você me perseguindo...

Gabriel ficou sério, Letícia parecia não estar brincando com as palavras.

— Mas você gostava de mim?!

— Você disse certo. — Respondeu ela, arregalando seus olhos — Eu era uma menina boba, inocente, eu gostava do cara que parecia ser um príncipe, do cara que fazia sentir nas nuvens, mas esse cara nunca foi você. Como quer que eu goste de alguém que brinca com as pessoas, de alguém que não está nem aí pra ninguém, a não ser pro seu próprio umbigo. Você é uma pessoa com quem eu não quero estar, e se um dia eu quiser, eu procuro em uma esquina. Você não presta Gabriel! — disse ela, pegando um pacote de pão e batendo no rosto dele e saindo furiosa.

— Meu jovem, você fez coisa errada...

Gabriel olhou para Rafhael e sorriu.

— Eu adoro essa menina! Mas acho que a perdi.

— Olha, as mulheres são complicadas, mas foi você quem vacilou. O mundo não está cheio de Valérias. Essa Argentina ai vale ouro! Eu acho que você deveria tentar concertar esse problema que você criou, esta mais do que na cara que você se apaixonou por ela...

Gabriel ficou pensando no conselho de Rafhael, e também pensava em tudo o que aconteceu em sua vida, no motivo que teria feito ele se transformar nesse garoto que brincava com todas as garotas que apareciam em seu caminho, e que isso tinha afetado toda a sua vida.

Ele tinha a certeza de que estava apaixonado por Letícia, mas precisava escolher se continuava dando atenção para as pessoas que o respeitavam por ser o garoto mais popular da cidade, ou se ele assumia para todo mundo que tinha se apaixonado, que aquele garoto brincalhão era apenas um personagem, todos aqueles pensamentos estavam corroendo seus neurônios. 

Gabriel também estava se desanimando porque as palavras de Letícia no supermercado o teriam afetado profundamente. E se ele escolhesse ficar com Letícia e ela não estivesse nada disposta a perdoar ele? 

Tudo o que Gabriel tinha construído para ser respeitado iria se acabar e ainda assim, ficaria sem a sua garota.

Hoje

— Eles já estão chegando! — Gritou Marialda, fazendo as pessoas se aglomerarem na direção da entrada da pequena cidade de Santa Catarina. Quando o carro de Beatriz apareceu, quase todo mundo estava apreensivo, de alguma forma Augusto parecia ter se tornado uma celebridade na cidade, mais parecia que seria uma celebridade internacional quem sairia por aquelas portas.

Escutaram se os barulhos da porta destravar, primeiro abriu se a porta do motorista, algumas crianças estavam coladas a janela do carro, queriam a todo o custo ser a primeira a ver quem era o tal Augusto que tinha morrido. Beatriz saiu do carro e Marialda se aproximou, ela pediu que os moradores não ficassem tão aglomerados e eles se afastaram um pouco, fazendo com que a família de Sylvia tivessem uma melhor visão do carro. A porta do carro se abriu, porém antes dos pés se viu dois pedaços de madeira, eram muletas. Quando Augusto saiu do carro Isadora ficou boquiaberta e Letícia percebeu.

— Ele... — disse Isadora, ainda em choque.

— ...usa muletas. — completou Isabela sorrindo.

— Pega uma água pra sua irmã Letícia! — pediu Sylvia.
Isadora estava tremendo então acabaram voltando para casa.

— Eu estava tão animada com a festa, mas o mais importante era a sua irmã. — disse Sylvia.

— Eu vou te contar uma coisa mãe, mas acho melhor a senhora se sentar. Eu tive algumas conversas com a Isadora tempos atrás, foram vários assuntos, e em um desses ela me contou como conheceu o pai da Isabela, e ela me contou que ele era brasileiro, e do nada ele sumiu, então ela achou que era um picareta, o nome dele era Augusto mãe. Eu acho que o pai da Isabela é o irmão do Lucas.

— É sério isso? — perguntou assustada — Então foi esse o motivo dela passar mal?

— Quando ela olhou para o Augusto, ela quase chorou mãe. Todo esse tempo que passou, eu seria capaz de dizer que ela sempre gostou daquele rapaz.

— Então ela vivia saindo de casa na esperança de esquecer que estava sofrendo. E ela não se abriu pra nenhum de nós. Eu queria saber o que aconteceu com a Isadora quando ela sumiu na Argentina.

— Eu conto mãe! — Isabela estava de pé na porta com Isabela nos braços, seus olhos ainda lacrimejavam, mas ela estava sorrindo.

Continua...