— Obrigada por estarem fazendo algo pela minha irmã!
Lucas sorriu.
— É o mínimo que as pessoas devem fazer. — respondeu sentando ao lado de Letícia em um banco atrás da casa, por paraíso ser uma cidade pequena, a luz da lua era a que iluminava o céu, bem diferente das grandes cidades.
— Quando eu tinha oito anos a Isadora tinha fugido de casa, eu não me preocupava tanto, antes de dormir eu amontoava as cobertas em cima da cama dela e cobria. Quando eu acordava de madrugada eu olhava para a cama e tinha esperanças de que ela já tinha voltado, aquilo me deixava sem medo, eu dormia tranquila até de manhã quando eu pulava na cama dela e via que ainda eram as cobertas. Foi quando a Isa estava grávida da Isabela.
— Eu tenho fé que ela volta. Aqui em Paraíso, é um paraíso!
— É tudo que eu quero. Ir lá no quarto e ver que minha irmã está lá...
Os dois ficaram em silencio por alguns minutos apenas olhando o céu.
— Eu não morava aqui em Paraíso. Eu morava em São miguel do Oeste à três anos atrás. Meu irmão mais velho se chamava Augusto e ele amava astronomia. Você está vendo esse pontinho ali no final do céu?
Lucas apontou com o dedo e Letícia colou a cabeça na dele pra que pudesse localizar.
— É a mais brilhante.
— É Vênus! Meu irmão dizia que todas as vezes que eu ver ele no céu, ele vai estar por perto.
Letícia olhou para Lucas e seus olhos estavam lacrimejantes.
— Eu sinto muito. — disse ela abraçando ele em seguida.
— Tia Letícia?! Vocês tão chorando? — era Isabela na janela do quarto. — Aconteceu alguma coisa com a Isadora?
— Não, não meu amor. A gente só estava olhando o céu mesmo.
Lucas sorriu e a lágrima acumulada em seus olhos caiu — E caiu um cisco em meu olho.
— Eu estou sem sono. Vamos ver filme?
Letícia olhou para Lucas que olhou para Isabela que o encarou e ele olhando para Letí respondeu; — Eu topo!
Isa encarou a tia fazendo bico com a boca e ela topou. Beatriz, a mãe de Lucas já estava voltando da delegacia de São Miguel quando o celular de Sylvia tocou.
— A Isadora foi encontrada! — contou para Manoel e Beatriz — Ela está bem? Alô?! Alô?! A ligação caiu, meu Jesus do céu!
Beatriz olhou para Manoel para pensar no que fazer.
— Voltamos pra São Miguel, é mais perto. Ai descobrimos mais informações.
— Tenham calma e fé em Deus, se fosse notícia ruim já saberíamos.
Sylvia estava um pouco assustada pois o número de telefone era desconhecido. O que ela sabia é que era uma mulher, assim que chegaram em São Miguel, Beatriz parou o carro pra ligar pra Paraíso e Sylvia esperava uma nova ligação.
— Deve ser coisa ruim. — lamentava.
— Calma mulher.
— Então é a Isadora mesmo? Graças a Deus. A gente vai pra Paraíso agora mesmo.
— Deixa eu falar com ela! — pediu, mas Beatriz já tinha terminado a ligação e estava sorrindo.
— Ela está vindo da Argentina com a prefeita Marialda. Vamos pra casa!
A volta para Paraíso foi bem tranquila, depois que mais de dois dias acordados e preocupados, Manuel e Sylvia caíram no sono. Beatriz que além de advogada e mãe, também era uma religiosa devota dos santos da Igreja Matriz em São Miguel do Oeste, percorreu o trajeto de volta para a cidade chorando e rezando. Beatriz levou Manuel e Sylvia para a fazenda de Marialda, mas quando chegaram, a jovem já estava dormindo.
— Eu queria te agradecer por ter ajudado a procurar minha filha, e mais ainda por ter encontrado ela. Eu sou muito grata.
Marialda pegou nas mãos de Sylvia e a abraçou.
— Eu fico muito feliz de ter te ajudado. Pra mim, família sempre foi a coisa mais importante no mundo. O que eu puder fazer por você, saiba que pode contar comigo. Eu sou a prefeita daqui de Paraíso, mas todo mundo sabe que além de prefeita sou uma amiga. É a minha base de sustentação. Só não briga com ela sabe... Ela precisa de vocês.
— Me diz uma coisa prefeita; o que foi que aconteceu com minha filha? — perguntou Manuel.
Continua...
