Capítulo 5




— Obrigada por estarem fazendo algo pela minha irmã!

Lucas sorriu.

— É o mínimo que as pessoas devem fazer. — respondeu sentando ao lado de Letícia em um banco atrás da casa, por paraíso ser uma cidade pequena, a luz da lua era a que iluminava o céu, bem diferente das grandes cidades.

— Quando eu tinha oito anos a Isadora tinha fugido de casa, eu não me preocupava tanto, antes de dormir eu amontoava as cobertas em cima da cama dela e cobria. Quando eu acordava de madrugada eu olhava para a cama e tinha esperanças de que ela já tinha voltado, aquilo me deixava sem medo, eu dormia tranquila até de manhã quando eu pulava na cama dela e via que ainda eram as cobertas. Foi quando a Isa estava grávida da Isabela.

— Eu tenho fé que ela volta. Aqui em Paraíso, é um paraíso!

— É tudo que eu quero. Ir lá no quarto e ver que minha irmã está lá...

Os dois ficaram em silencio por alguns minutos apenas olhando o céu.

— Eu não morava aqui em Paraíso. Eu morava em São miguel do Oeste à três anos atrás. Meu irmão mais velho se chamava Augusto e ele amava astronomia. Você está vendo esse pontinho ali no final do céu?

Lucas apontou com o dedo e Letícia colou a cabeça na dele pra que pudesse localizar.

— É a mais brilhante.

— É Vênus! Meu irmão dizia que todas as vezes que eu ver ele no céu, ele vai estar por perto.

Letícia olhou para Lucas e seus olhos estavam lacrimejantes.

— Eu sinto muito. — disse ela abraçando ele em seguida.

— Tia Letícia?! Vocês tão chorando? — era Isabela na janela do quarto. — Aconteceu alguma coisa com a Isadora?

— Não, não meu amor. A gente só estava olhando o céu mesmo.

Lucas sorriu e a lágrima acumulada em seus olhos caiu — E caiu um cisco em meu olho.

— Eu estou sem sono. Vamos ver filme?

Letícia olhou para Lucas que olhou para Isabela que o encarou e ele olhando para Letí respondeu; — Eu topo!

Isa encarou a tia fazendo bico com a boca e ela topou. Beatriz, a mãe de Lucas já estava voltando da delegacia de São Miguel quando o celular de Sylvia tocou.

— A Isadora foi encontrada! — contou para Manoel e Beatriz — Ela está bem? Alô?! Alô?! A ligação caiu, meu Jesus do céu!

Beatriz olhou para Manoel para pensar no que fazer.

— Voltamos pra São Miguel, é mais perto. Ai descobrimos mais informações.

— Tenham calma e fé em Deus, se fosse notícia ruim já saberíamos.

Sylvia estava um pouco assustada pois o número de telefone era desconhecido. O que ela sabia é que era uma mulher, assim que chegaram em São Miguel, Beatriz parou o carro pra ligar pra Paraíso e Sylvia esperava uma nova ligação.

— Deve ser coisa ruim. — lamentava.

— Calma mulher.

— Então é a Isadora mesmo? Graças a Deus. A gente vai pra Paraíso agora mesmo.

— Deixa eu falar com ela! — pediu, mas Beatriz já tinha terminado a ligação e estava sorrindo.

— Ela está vindo da Argentina com a prefeita Marialda. Vamos pra casa!

 A volta para Paraíso foi bem tranquila, depois que mais de dois dias acordados e preocupados, Manuel e Sylvia caíram no sono. Beatriz que além de advogada e mãe, também era uma religiosa devota dos santos da Igreja Matriz em São Miguel do Oeste, percorreu o trajeto de volta para a cidade chorando e rezando. Beatriz levou Manuel e Sylvia para a fazenda de Marialda, mas quando chegaram, a jovem já estava dormindo.

— Eu queria te agradecer por ter ajudado a procurar minha filha, e mais ainda por ter encontrado ela. Eu sou muito grata.

Marialda pegou nas mãos de Sylvia e a abraçou.

— Eu fico muito feliz de ter te ajudado. Pra mim, família sempre foi a coisa mais importante no mundo. O que eu puder fazer por você, saiba que pode contar comigo. Eu sou a prefeita daqui de Paraíso, mas todo mundo sabe que além de prefeita sou uma amiga. É a minha base de sustentação. Só não briga com ela sabe... Ela precisa de vocês.

— Me diz uma coisa prefeita; o que foi que aconteceu com minha filha? — perguntou Manuel.

Continua...