Por mais que pareça injusto, às vinte e quatro horas após o desaparecimento de uma pessoa são muito importantes, pois pode ter acontecido algo não tão grave quanto desaparecer. O fato é que para Valéria, as regras existem para ser quebradas. Se todas as pessoas respeitassem a lei, as leias ficariam bem piores nas mãos de quem almeja o poder.
— O que a gente precisa agora é encontrar a Isadora sem nenhum arranhão. O relógio corre e ela pode estar precisando de nossa ajuda. Eu preciso que todos estejam dispostos a ajudar. Porque eu tenho uma amiga de Florianópolis que tem contato com a televisão. Quem não ajudar, quando a gente aparecer na televisão por ter salvado a garota argentina, eu não vou deixar que fiquem com os créditos. Ninguém vai nos representar, se a gente encontrar a Isadora, somos nós quem vamos nos representar.
— Fica quieta Valéria — sussurrou Lucas — não faz papelão.
Valéria apenas olhou para Lucas e deu sorriu.
— Vocês iriam gostar que dessem as costas caso se fosse filho de um de vocês? Vocês iriam gostar de ter que esperar vinte e quatro horas quando seu familiar poderia não estar bem? Vamos colaborar, por favor!
Mesmo sendo radical e exagerada quando abria a boca, no fundo ela tinha razão e sua estratégia parecia ter funcionado, a pequena cidade de Paraíso estava mobilizada para encontrar a irmã de Letícia. O problema de agora era contar para Isabela que ninguém sabia onde sua mãe estava.
— Isabela, meu anjo, você sabe que sua mãe sempre passeava quando a gente morava na Argentina né?
— Isabela, meu anjo, você sabe que sua mãe sempre passeava quando a gente morava na Argentina né?
— Sim abuela, ela fez isso de novo não é?
Sylvia afirmou que sim com a cabeça e abraçou a neta.
— Logo ela está de volta. Não se preocupe!
— Eu não estpu preocupada, sei que a Isadora não tem juízo, eu estando aqui com vocês é o que mais importa.
— Sabe que deveria chamar ela de mãe né?
— A mãe das minhas amigas buscam elas na escola, perguntam como elas estão e levam elas pra passear, a Isadora nunca fez isso comigo. Mas tomara que ela volte logo!
— Se Deus quiser meu amor. Se Deus quiser.
Já passavam das nove da noite quando Lucas voltou para casa e sua mãe estava deitada assistindo televisão.
Já passavam das nove da noite quando Lucas voltou para casa e sua mãe estava deitada assistindo televisão.
— Que alvoroço era esse aqui em Paraíso? Cheguei de São Miguel do Oeste faz uma hora e tinham várias pessoas com lanterna ali na 282.
— Sumiu uma garota mãe, filha daquela família de argentinos que chegou a pouco tempo aqui. Eles estão esperando às vinte e quatro horas pra avisar a polícia.
— Lucas! Que vergonha você não saber que isso é um mito, não é preciso vinte e quatro horas não. Eles só precisam levar uma foto dela e um comprovante de endereço. As buscas são imediatas. O que é que você vai fazer agora?
— Tomar banho e ir jogar bola.
— Nem pensar. Eu vou te dar todas as instruções e você vai passar tudo pra família lá.
Lucas era obediente então anotou tudo que sua mãe dizia; que a família precisa tentar rastrear os passos da pessoa desaparecida, seja navegando na internet e buscando contato com os amigos; entrar em contato com Hospitais e Departamento Médico Legal (DML/IML); fornecer todas as informações possíveis na delegacia; e quando for encontrado, ir até a delegacia para dar baixa no boletim.
— Seu amigo vai cuidar do Cafecito amanhã também né?
— Seu amigo vai cuidar do Cafecito amanhã também né?
— Vai sim. Sabe, tem horas que eu queria não ter tido a Isadora. Ela só nos deu dor de cabeça a vida toda.
— Ela é nossa filha Manoel. Não fala isso por favor!
— Ela não tem amigos aqui no Brasil. Essa menina fica brincando com a gente, eu não to aguentando! Eu to sem dormir! Eu to quase indo pra San Pedro atrás dessa garota — desabafou.
— Amor, eu vou fazer um café pra você. Precisamos manter a calma. Temos a Letícia e a Isabela que precisam da gente aqui.
Toda aquela movimentação em casa fez com que Letí dormisse mais cedo que de costume, porém, sua mãe a acordou falando baixinho.
— Letí, acorda... — sussurrava enquanto tocava o ombro dela — Letí, eu e seu pai precisamos sair.
— Onde vocês vão? Encontraram a Isa?
— Não, a mãe de um amigo seu vai levar eu e seu pai na delegacia. Ai ele vai ficar aqui com você.
Mesmo sonolenta ela se levantou e lavou o rosto. Quando chegou na sala não tinha ninguém ali e sim lá fora, era Lucas e ele estava no jardim.
Continua...
