Quarta-feira, 17 de Novembro de 2021. Manhã.
Sou calorento, 18°C é uma temperatura onde eu me sinto no ápice da minha produtividade, mas naquele dia a cidade de São Paulo já alcançava seus 29° e um desanimo tomava conta. O que fazer no calor se eu sou alguém que não se sente bem em tais temperaturas? Me lembro de ter pesquisado na Internet qual seria a temperatura para o dia e a máxima atingiria 31°, o que acabou me deixando apreensível, mas sairíamos com minha prima de carro então tinha a possibilidade de ficasse ameno o clima, já que de carro, teríamos vento.
Minha tia avisou que o almoço estava pronto, mas tamanho era o calor que eu achei mais correto que eu não almoçasse, porque ingerir alimento quente poderia ser que eu tivesse uma sensação de mais calor ainda. Nenhum dos meus familiares gosta tanto de frio como eu gosto, então apesar de ser normal alguém gostar de frio, desde pequeno eu sempre estive "fora da casinha". Sempre escutei comentários sobre essa minha opção pelo frio, um amor peculiar.
Já que eu não havia almoçado, voltei os olhos para o meu desejo de comer um açaí, que além de nutritivo, poderia me dar alguma energia, isso ao mesmo tempo em que iria me refrescar no parque. Perto das 3 da tarde a gente finalmente saiu de casa, mas a tranquilidade de sentir o vento acabou abafada pelo carro cheio, para que não tivéssemos estresse, acabei não reclamando.
Enquanto todos entraram no parque, fui atrás de comprar o açaí, recheado de frutas. Apenas frutas. A gente nunca sabe o que vai acontecer, e eu tão pouco poderia imaginar. Minha tia pediu que eu comprasse um cigarro para ela, e foi isso que eu fiz. Ali no parque, entreguei o seu cigarro e procurei um banco para me sentar. Tinha um ali próximo deles, de frente com uma lagoa, e alguns patos nadando, um lugar perfeito!
Não tive tempo de aproveitar todo o açaí. Foi tudo muito de repente, o gosto do açaí acabou desaparecendo e um gosto estranho apareceu. Ainda com consciência, eu sabia que algo errado estava acontecendo, e você tem apenas alguns segundos para tomar uma decisão. Eu não podia me levantar do banco, eu não seria capaz de andar mais do que 3 passos.
Milagrosamente, minha tia estava me procurando, perguntou se eu ainda iria no churrasco com ela, sem forças para responder, apenas a chamei com as mãos, respondi que não estava bem e a minha vista foi mudando de cor. Tudo foi clareando para o branco, enquanto as bordas estavam douradas, você não tem tempo para mais nada. O passeio... O açaí... Os planos... Nada disso importa, é apenas você e aquele claro nos seus olhos.