No Hospital - Capítulo 3

 A primeira decepção aconteceu na emergência quando, ainda de olhos fechados, percebi uma das enfermeiras desanimada. Disse que estava preparada e soltou um mas... Era como se estar na situação em que eu estava não fosse bom o suficiente. Talvez seja o fato da minha prima ter explicado ao telefone que eu estava parado e alguém ter interpretado como uma parada. Eu não sei, mas seria este o motivo do desânimo com o meu caso?

 Quarta-feira, 17 de Novembro de 2021. Por volta das 16 horas.

 Assim que meu exame de sangue saiu, finalmente me liberaram para fazer a tomografia. Devido as dores, e a sensação de que meu cérebro se encontrava pendurado por um fio, era essencial descobrir se tinha alguma coisa na minha cabeça. Me lembro de estar preocupado com o meu celular, porque ele estava no meu bolso, acreditava que a tomografia poderia afetar meu celular.

 Em questão de minutos, voltei para a emergência, mas nessa altura do campeonato, apenas uma enfermeira estava por lá e escutei uma conversa sobre bolo. Era aniversário de alguém, tenho quase certeza.

 Como os meus olhos ainda estavam sensíveis a luz, resolvi os tapar com a camiseta que eu vestira para ir ao parque, que quando desmaiei, alguém acabou tirando. Não estava com noção o suficiente para pedir que alguém desligasse aquela em minha cabeça que quase me deixara cego. Eu estava mal, mas aos poucos estava tendo consciência das coisas em minha volta e sentindo que algo estranho estava acontecendo.

 19 horas e 24 minutos.

 De repente, duas enfermeiras acabaram me tirando da emergência e me levaram para um quarto com outras duas pessoas. Uma senhora mandando áudio no WhatsApp e outro paciente que eu até aquele momento não sabia da sua história. A cama em que me colocaram era extremamente desconfortável e com as dores na cabeça, optei de usar a camiseta como um apoio. O quarto não possuía ventilação de aquele calor que eu sentira durante a manhã parecia estar voltando.

Acabei adormecendo e quando acordei, estava sentindo calafrios por todo o meu corpo, uma enfermeira estava dando janta para o paciente que eu ainda não conhecia. Fiquei sabendo que ele visita o hospital constantemente. Perguntei se eu também poderia jantar e ela me respondeu de forma fria: "Agora não!"