No Hospital - Capítulo 4

 Entre idas e vindas, uma constante perca de consciência e flashes que não faziam sentido algum... De repente, a cabeça de um senhor despontou sobre a porta e aquilo acabou me acordando. Ele havia se acidentado de carro, não sabia onde estava sua carteira e menos ainda seu celular. Também não falava coisa com coisa, o que me gerava preocupação. Eu ficaria naquela sala com alguém alcoolizado?

 Não demorou muito para que sua filha chegasse, trazendo além da carteira e seu celular, toda a história do que havia acontecido. Que bêbado, ele batera em um poste e que não iria preso porque não ouve óbitos no local. Sua filha também contou que ele estava impaciente e que teria sido grosseiro com a equipe do Corpo de Bombeiros, que foram quem o levaram até o hospital.

 Conforme eu me tornava consciente, a filha daquele paciente começou a conversar comigo e eu tive que reclamar sobre não ter me alimentado e sobre como ninguém no hospital se dispusera a ver o porque eu ainda estava com dores, e sentindo calafrios pelo corpo. Ela então procurou uma enfermeira, que entrou no quarto e perguntou meu nome e disse que já voltava.

 Ela não voltou.

 A filha do senhor que se acidentara ficou pasma com a falta de atendimento que eu estava recebendo, e vendo que eu estava pálido e com uma provável desidratação, se dispôs a trazer água para mim, não uma, mas 3 vezes seguida. Engraçado eu ter que dizer que uma pessoa aleatória fez mais por mim do que alguém que trabalha na saúde, que no mínimo, deveria ter se disposto a resolver os meus problemas.

 Estava me sentindo mal. Quando conseguia a atenção de alguma enfermeira, diziam que eu não podia beber água, que eu não poderia comer. Qual era a intenção? Cheguei a perguntar, mas não tive resposta alguma. Talvez a intenção era me deixar realmente doente... Parecia desumano me deixar passando fome, me deixar suando de forma extrema, me deixar sentindo calafrios e com as mesmas dores de cabeça que eu tivera nas últimas 8 horas em que dei entrada naquele hospital.

 Eu só sabia que as coisas não poderiam piorar.