18 de Novembro de 2021. 3 horas da madrugada.
"Maycon! O médico falou com você..."
Acordei com uma frase decorada de uma enfermeira me dizendo que o médico havia falado comigo, que eu estava bem e que por esse motivo eu poderia ir embora. Que médico havia falado comigo?
"Mas eu não estou bem, minha cabeça ainda está doendo..."
Ela relutou mais uma vez em falar do médico, ignorando eu reclamando outra vez que ainda estava com dores. Não teve jeito, em poucos minutos, ela fez com que desorientado eu saísse daquela maca e me dirigisse para a recepção do hospital.
"Vou pra onde?"
Perguntei, sem saber que atitude preciso tomar ao sair de um hospital.
"Você não tem casa?"
Respondeu ela com uma grosseria tamanha, parecia que eu tinha feito alguma coisa pra ela.
Foi tão triste como tudo aconteceu, como é que eu ganho alta de um hospital sem estar bem? Não entendo nada sobre como funciona um hospital, mas é normal que liberem uma pessoa no meio da madrugada e que ainda esteja reclamando sobre não estar bem? Fiquei traumatizado com o quão eu me senti pouca coisa, será que alguém relevante teria sido tratado da mesma maneira?
Depois eu fiquei pensando que essas mesmas pessoas que não se atentaram comigo, devem postar fotos nas redes sociais agradecendo pelo plantão da madrugada, que colocam uma hashtag Enfermagem por amor... Fiquei assustado pelas 12 horas que passei naquele hospital em São Paulo que o meu maior medo se tornou precisar permanecer 12 horas novamente em um hospital.
Perguntei se não poderia comer alguma coisa, já que passara o dia todo sem comer nada, apenas com a água que a filha daquele paciente gentilmente levou para a minha maca. Foi assustador ver a frieza daquela enfermeira e não desejo que ninguém tenha o atendimento que eu tive.
Pelos próximos dois dias, precisei passar ao banheiro incontáveis vezes já que estava expelindo água por todo lugar possível. O padrão seria eu procurar ajuda, mas as lembranças da minha passagem naquele hospital me assombram tanto que não existem chances de que eu queira passar algum tempo naquele lugar mais uma vez.
Conversando com um amigo médico de Curitiba, ele me disse que não seria um procedimento correto as coisas ocorrerem como aconteceram naquela madrugada de quinta-feira. Como é que alguém da alta para um paciente que claramente não está bem? Não é possível que eu explique o que foi que ocorreu e o porque de naquela noite eu ter sido tão mal tratado dentro daquele hospital, mas é lamentável que esse tipo de coisa aconteça.