Capítulo 14


— Você errou! Mas eu não estou mais com cabeça pra ficar bravo... Eu sei como você é cabeça dura e que gosta de brincar com o coração das garotas, foi um golpe muito baixo você ter feito o que fez com a Letícia. Pra falar a verdade, você errou em deixar a Letícia passar por aquela humilhação. Eu não gosto de fazer mal pras pessoas porque sei que todo mundo tem seus problemas. Você me entende?

— Amigos? — disse Gabriel estendendo a mão para Lucas, que lhe deu um abraço — Mas me conte, digeriu seu irmão estar vivo? Como você está se sentindo? A ideia de ver ele outra vez vai cobrir toda a dor de ter ficado sem ele?

Lucas deu risada.

— Eu fico imaginando aquelas cenas de quando eu era criança e ele estava no quintal de casa me falando sobre as constelações e os planetas, a diferença é que agora eu imagino ele de barba. São três anos olhando pro céu e imaginando que alguma daquelas estrelas fosse ele me olhando. Mesmo que isso amenizasse um pouco a dor, nunca foi suficiente. Quando falaram que ele morreu carbonizado e que o caixão não seria aberto, tinha sido a coisa que mais doeu, não tivemos um adeus, isso ficava na minha cabeça e acho que ficaria pra sempre.

— Eu fui muito idiota, eu sou filho único então não percebia que o irmão que me faltava, eu tenho, me desculpa Lucas!

— Acho que está tudo bem... Mas não posso aceitar que você brinque com outras garotas, e seria bom você falar com a Letícia.

— Ah! A Letícia... — suspirou Gabriel.

— Você gosta dela? Tipo, você realmente gosta dela?

— Eu não sei te responder isso. Mas, existe um problema, ela não é ninguém no Colégio Joseph e eu sou o garoto mais popular, eu tenho uma reputação.

— Você acha que isso importa? As vezes a vida te da uma chance pra você corrigir seus erros. Mas, isso você deve pensar depois, eu quero que você me ajude em outra coisa. — Lucas se levantou animado como um presidente quando vai fazer um pronunciamento — Quero fazer uma festa pro Augusto, assim que ele chegar.

— Festa? — perguntou Marialda entrando na sala com três bandejas de pipoca 

— Eu vou querer saber toda essa história depois do filme.

Assim que o filme acabou, Lucas contou para a prefeita que queria reunir seus amigos e apresenta-los para Augusto em uma festa. Mesmo nunca tendo morado na cidade de Paraíso, por fofoca de Valéria, toda a cidade estava sabendo que o filho falecido da advogada Beatriz estava vivo, aquela parecia ser a fofoca do século.

— Então o filho da mãe do seu amigo morreu e não morreu? Eu quero que você me explique essa história direito. — perguntou Isadora para Letícia.

— A mulher no mercadinho disse que ele foi arremessado fora do ônibus e perdeu a memória, Manoel. — comentou Sylvia.

— Eu adoro festas, ainda mais pra conhecer o morto gato... — dizia Valéria para Mayra.


Marialda após conversar com Beatriz, que ainda estava em Florianópolis cuidando da documentação do filho que reapareceu, e obter a aprovação, ajudou Lucas que organizasse uma festa para Augusto, com verba arrecadada para ajudar um projeto social de entregar cestas básica para famílias carentes. A festa foi montada na rua principal da cidade e contava com quase toda a cidade. Para organizar a festa, Marialda demorou uma semana e contou com a ajuda de Manoel e Seu Rafhael, o dono do mercado central de Paraíso.

1 Semana depois

Valéria chegou a festa acompanhada de Mayra, todo momento que se encontrava com Lucas, ela desviava o olhar. Sylvia chegou a festa junto com Letícia e Isabela. Manoel estava cuidando de uma barraquinha de comida e sucos e café.

— Pela primeira vez eu sinto que essa cidade parece uma cidade... — Comentou Isadora chegando em seguida.

— Eu não estou achando a barraca do Cafecito — Sylvia olhava de um lado para o outro procurando por seu marido.

— Está ali abuela! — disse Isabela, apontando para uma barraca próxima de um palco.

— É avó em português — respondeu Isadora, dando um beijo em Isabela — sabe que a Dona Sylvia não gosta que falemos em espanhol aqui em Paraíso.

Letícia estava quieta, porém, observando as pessoas que ali estavam, encontrou Valéria, que mesmo sendo uma garota péssima, estava muito bem vestida, nem parecia uma garota do interior. Valéria a estava encarando, porém desviou o olhar. Ela também avistou Gabriel com Lucas e Marialda, ele estava sorrindo mas assim que a viu ficou sério.

— Eles já estão chegando! — Gritou Marialda, fazendo as pessoas se aglomerarem na direção da entrada da pequena cidade de Santa Catarina. 

Quando o carro de Beatriz apareceu, quase todo mundo estava apreensivo, de alguma forma Augusto parecia ter se tornado uma celebridade na cidade, mais parecia que seria uma celebridade internacional quem sairia por aquelas portas. Escutaram se os barulhos da porta destravar, primeiro abriu se a porta do motorista, algumas crianças estavam coladas a janela do carro, queriam a todo o custo ser a primeira a ver quem era o tal Augusto que tinha morrido. Beatriz saiu do carro e Marialda se aproximou, ela pediu que os moradores não ficassem tão aglomerados e eles se afastaram um pouco, fazendo com que a família de Sylvia tivessem uma melhor visão do carro. A porta do carro se abriu, porém antes dos pés se viu dois pedaços de madeira, eram muletas. Quando Augusto saiu do carro Isadora ficou boquiaberta e Letícia percebeu.

— Ele... — disse Isadora, ainda em choque.

— ...usa muletas. — completou Isabela sorrindo.

Continua...