Capítulo 7




  — O que realmente é importante em uma pessoa? Suas ações! De que vale dizer que ama se não demonstrar? Por mais que o mundo todo diga que é caretice, é o que realmente importa... Falar todo mundo fala, você precisa demonstrar o que você sente.

— A Isabela sabe que eu amo ela. Eu sempre amei minha filha mãe! Mas eu errei e não sei como concertar.

— Eu acabei de te dizer. Ações! As coleguinhas da Isabela com certeza no final da aula quem espera por elas é a mãe. Não é a avó e nem mesmo a tia...

— Mas eu já buscava ela.

— Filha. Não tem que ir na escola da sua filha por obrigação e sim por amor. É essa a diferença em tudo na vida. Quando você arrumar um serviço, você nunca vai ser suficiente se não trabalhar com amor. Quando você for se casar, se não tiver amor vai ser fracasso. Se abre com ela, diz que ama ela, que ela é a filha que você sempre quis. Não perca ela.

— Sabe... — os olhos de Isadora lacrimejaram — quando eu estava sozinha na Argentina, eu tava me lembrando de quando eu era pequenininha e a senhora levantava toda a madrugada quando eu acordava assustada após um pesadelo. Eu fiquei pensando em todas as vezes que a Isabela precisou de mim nas madrugadas e eu não estava em casa. Eu errei tanto.

Depois de ter passado por um problema dos grandes na Argentina, Isadora parecia finalmente ter aberto os olhos para o que tinha de mais importante; sua família. Sylvia, apesar de ser uma mulher caseira, era a mulher mais inteligente que Manuel poderia ter encontrado, além de excelente cozinheira, sempre foi uma mãe que acompanhava as filhas no desempenho escolar e era uma ótima conselheira, uma amiga para as filhas. Essa última, sempre plausível para Isadora, após entrar em problemas.

No Colégio, a aula mais esperava sempre foi a da Professora Daiani, a professora de Geografia. O motivo? Dominava o conteúdo e era uma amiga pra quem precisasse. Mas na última aula, Letícia estava muito quieta, apesar de ser quieta, na aula de geografia ela sempre ousava levantara a mão pra responder e questionar sobre suas dúvidas. Ela percebeu que algo estava errado, mas como era apenas uma aula, não teve tempo de perguntar o que estava acontecendo. Final de ano, os alunos do fundo sempre ficam alvoroçados pois estão na berlinda e querem recuperar o máximo de notas possíveis. Na hora do almoço ela ainda se perguntava sobre o que poderia ter acontecido. De tarde, novamente Letícia voltou a sua cabeça, e por sorte Ana, a garota que se sentava atrás da jovem, agora estava no Colégio.

— Posso falar com você?

— Claro! É sobre alguma coisa do trabalho que a senhora pediu?

— Não! Não! É que eu percebi que a Letícia estava muito quieta na aula cedo e então eu fiquei preocupada. Você sabe de alguma coisa?

Ana jogou os cabelos para trás e os segurou na altura da nuca enquanto pensava alto.

— Não vi ela falar nada de anormal no Twitter dela... Fora o Twitter... Ela tem um blog. Ela pode ter postado algo lá.

— Um blog?!

— Isso professora! A Letícia tem um blog na internet e ela sempre posta as coisas de acordo com o que ela ta sentindo. Eu não entrei hoje porque eu precisava ir na biblioteca, mas posso te passar o link.

Um blog? Daiani estava surpresa que uma garota tão quieta como Letícia pudesse escrever como um papagaio nas redes sociais, e além disso manter um blog na internet para que o resto do mundo pudesse saber como ela se sentia.

Mesmo sem entender direito como funcionava esse mundo de blog, Daiani acessou o blog de Letícia. Eram postagens na maioria sobre família, sobre seus filmes e livros favoritos, e sobre pensamentos. O mais recente tinha o título "Os príncipes existem?", seria amor o problema de Letícia?
Eram seis da tarde quando Valéria chegou na Fazenda da prefeita Marialda, toda maquiada e de salto, parecia estar pronta para um rodeio.

— Por que você vem assim aqui pra casa? — Perguntou Gabriel debochando.

— Não tem hora pra ser uma mulher bonita Gabriel!

— E o Lucas? Minha mãe espera que ele esteja aqui em casa quando ela voltar de Brasília.

— Ele chega atrasado. Você sabe como é. Eu quero que o senhor me conte tudo sobre seu encontro com a "Letícianta" — pediu aos risos — ...Entendeu? "Letícianta". Letícia. Anta.

— Eu fui um príncipe! Você sabe como eu sou...

— Você é ótimo Gabriel!

Continua...